Uma investigação recente encomendada pela Greenpeace Internacional veio lançar novas dúvidas sobre a segurança de alimentos destinados a bebés. O relatório, intitulado “Tiny Plastics, Big Problem: The Hidden Risks of Plastic Pouches for Baby Food”, identificou a presença de microplásticos em todas as amostras testadas de comida para bebé vendida em embalagens de plástico, incluindo produtos de duas gigantes do setor alimentar: a Nestlé e a Danone.
Os testes laboratoriais analisaram marcas amplamente comercializadas, concluindo que tanto as embalagens como o próprio conteúdo apresentavam partículas microscópicas de plástico, bem como vestígios de compostos químicos associados a estes materiais. O relatório detalha os testes realizados a marcas populares como a Gerber, da Nestlé, e a Happy Baby Organics, da Danone, nas quais foram encontradas partículas de microplásticos em todas as amostras.
Os números são expressivos: por cada grama de alimento analisado, foram encontradas dezenas de partículas de microplásticos. Em termos práticos, isso traduz-se em centenas de fragmentos por colher de chá e milhares por embalagem individual. Para os investigadores, estes dados apontam para uma exposição potencialmente significativa, sobretudo num grupo particularmente vulnerável — os bebés.
“Este estudo é um choque para pais em todo o mundo, que confiam nestas marcas para fornecer alimentos seguros e nutritivos aos seus bebés. Em vez disso, empresas dependentes do plástico, como a Nestlé e a Danone, não conseguem garantir que os seus produtos estejam livres de microplásticos e químicos”, afirmou Graham Forbes, responsável global da campanha de plásticos da Greenpeace EUA.
Ana Farias Fonseca, Coordenadora de Campanhas de Mobilização da Greenpeace Portugal, acrescentou: “Estamos perante uma crise de saúde pública que começa, literalmente, no berço. É urgente aplicar o princípio da precaução: os fabricantes devem demonstrar que as suas embalagens são seguras, e não compete aos pais ou cientistas provar o contrário.”
O crescimento acelerado das embalagens plásticas flexíveis agrava o cenário. Este formato de embalagem para comida de bebé tornou-se dominante a nível global, com um aumento anual de 8,1% até 2031, representando 37,15% do mercado mundial em volume em 2025. Atualmente, milhões destas embalagens de utilização única são compradas diariamente, expondo milhões de bebés à ingestão de microplásticos.
A Greenpeace apela à Nestlé, à Danone e a todos os produtores de comida para bebé para que investiguem urgentemente os seus produtos, provem que não estão a colocar crianças em risco e eliminem progressivamente as embalagens de plástico, substituindo-as por alternativas reutilizáveis e não tóxicas.