Portugal foi o segundo país da OCDE onde o rendimento real das famílias mais cresceu nos últimos dois anos, atrás apenas da Polónia, apontam os dados da organização. Tal deve-se sobretudo às descidas nos impostos pessoais decretadas para 2024 e 2025, bem como à subida do salário médio.
A economia nacional registou o segundo maior crescimento deste indicador em 2024, quando saltou 6%, com apenas a Polónia a superar, com 7,8%. Em 2025, as famílias portuguesas viram uma expansão real de 2% nos seus rendimentos, o que significa o quinto lugar no bloco OCDE. Ao nível da Europa, Polónia lidera a tabela, em 2025, com crescimento de 4,1%, seguindo-se os Países Baixos em segundo lugar, com mais 2,3%. Já as famílias em Portugal ganharam surgem em terceiro lugar, com mais 2% no poder de compra no ano passado.
Em termos comparativos, a Austrália, Países Baixos e Chile conseguiram uma evolução mais favorável deste indicador no ano passado do que Portugal, tal como a Polónia, que liderou a tabela tanto em 2024, como em 2025. Ainda assim, de referir que naqueles três primeiros países, o ano passado viu uma maior expansão do indicador do que 2024, algo que contrasta com o resto da OCDE.
No caso nacional, há uma junção de fatores que explicam em boa parte esta evolução: por um lado, o aumento dos salários, com a remuneração média bruta a subir 7% em 2024 e outros 5,6% em 2025, segundo dados do INE; por outro, houve lugar a reduções nas taxas do IRS em vários escalões, bem como na retenção na fonte, o que permitiu uma expansão do rendimento líquido.
Também na Polónia a tendência é explicada sobretudo pelos aumentos salariais, que levaram a um crescimento do indicador, refere a OCDE na sua análise.
Olhando para os dados de 2024, constata-se que a Hungria fica a seguir a Portugal, no terceiro posto, com 5,6% de avanço, seguida da Áustria, onde o rendimento real das famílias subiu 3,6%. No entanto, a economia austríaca viu um recuo pronunciado do indicador no ano seguinte, quando caiu 1,8%, sendo um dos dois únicos países a verificar uma queda neste respeito.
Também a Finlândia registou uma diminuição do rendimento das famílias em 2025, quando caiu 0,7% à boleia de subidas nos impostos sobre o rendimento e património. No ano anterior, os dados mostram uma expansão de igual magnitude.
Nesta dinâmica entra também a inflação, que retira valor aos salários ao encarecer o cabaz de consumo. Itália viu-se afetada por esta dinâmica de desvalorização dos salários reais no final do ano passado, quando o rendimento real das famílias caiu 0,9% no último trimestre à boleia de nova pressão do lado dos preços, mas também do rendimento decrescente oriundo das propriedades.
Em sentido inverso, a Grécia viu uma expansão do indicador precisamente fruto dos rendimentos líquidos de propriedades, bem como do crescimento do salário bruto médio. As famílias gregas experienciaram assim um aumento de 2,5% em 2024 e 1,8% em 2025.
Destaque ainda para Espanha, que lidera as grandes economias europeias neste aspeto, com 3,1% em 2024 e 1,5% em 2025. Em sentido inverso, Alemanha e França ficam no fundo da tabela e abaixo da média do bloco OCDE, que se cifrou em 2,1% e 0,8%, respetivamente. Já os EUA registaram aumentos de 1,9% e 1,6% nos mesmo períodos.