Um cenário de reabertura do Estreito de Ormuz, com a melhoria do sentimento de mercado, pode levar o cobre aos 15 mil dólares (12.930 euros) por tonelada até ao final do ano, prevê o Citibank, o que constituiria uma subida de 10,9% face aos atuais 13.515 dólares (11.650 euros) por tonelada que transacionava no mercado londrino a 22 de maio. O banco continua a colocar o preço de curto prazo desta matéria-prima nos 13 mil dólares (11.210 euros). Estes valores ficam abaixo dos máximos de 14.500 dólares (12.500 euros) por tonelada do início do ano.
O Citibank defende que existem três fatores que têm contribuído para a não existência de uma queda abrupta no preço do cobre, apesar de decorrer uma guerra no Médio Oriente, desde fevereiro, conforme nota da instituição bancária transcrita pela empresa de dados Tradingkey. Entre eles estão: a transição energética, o crescimento da procura de inteligência artificial (IA) e militar e as restrições de oferta.
Recorde-se que no início de março o cobre estava a transacionar nos 12.895 dólares (11.120 euros) por tonelada e atualmente encontra-se nos 13.515 dólares (11.650 euros) por tonelada.
O cenário base do Citibank prevê que o bloqueio do Estreito de Ormuz continue até maio. O cenário otimista é assente na possibilidade da reabertura do Estreito de Ormuz trazer melhores perspetiva de crescimento, libertar a procura de reabastecimento, ou se a crise proporcionar um impulso estrutural à procura de transição energética, então o preço pode chegar aos 15 mil dólares (12.930 euros). Num necessário pessimista o banco coloca o preço do cobre nos 10 mil dólares (8.620 euros) por toneladas, mas atribui uma possibilidade de 20% de que isso aconteça.
Descida da tensão do Médio Oriente pode sustentar preços do cobre
Quanto ao JP Morgan projetava, em abril, que o preço do cobre fique nos 13.500 dólares (11.640 euros) por tonelada no segundo trimestre, desça para os 13 mil dólares (11.210 euros) no terceiro trimestre, e caia para os 12.500 dólares (10.780 euros) por tonelada no quarto trimestre. O JP acredita que o preço do cobre continua em descida no primeiro e segundo trimestre de 2027 para os 11.800 dólares (10.170 euros) e 11.600 dólares (10 mil euros) por tonelada.
O JP Morgan diz ainda que uma redução da tensão no conflito “poderá sustentar” os preços do cobre, especialmente se o Estreito de Ormuz for reaberto.
“Além disso, a incerteza contínua em relação às tarifas pode gerar ainda mais volatilidade: a 2 de abril, a administração Trump reviu as tarifas da Secção 232 sobre os produtos derivados do cobre, reduzindo as taxas para aqueles com um teor mais baixo do metal”, lembra.
JP Morgan alerta para riscos macroeconómicos
O JP Morgan defendia em abril que os preços do cobre “continuavam elevados” em comparação com as médias históricas, mas os riscos macroeconómicos de queda “ainda não estão totalmente precificados”.
E isso deve-se a uma série de fatores elencados pelo banco.
“O cobre é amplamente utilizado em importantes setores industriais, mas a produção global de minas continua restrita devido às constantes interrupções no fornecimento. Grasberg, na Indonésia, a segunda maior mina de cobre do mundo, continua subutilizada depois de um deslizamento de terras fatal ter provocado uma situação de força maior em setembro; Noutro local, a previsão de produção na mina de Quebrada Blanca, no Chile, foi revista em baixa devido aos desafios operacionais, agravando ainda mais a escassez global. Além disso, a China anunciou que vai interromper as exportações de ácido sulfúrico — um insumo essencial para certos processos de mineração de cobre — a partir de maio, para proteger o seu abastecimento interno. Isto pode criar ainda mais restrições no mercado do cobre, dado que cerca de 15% da produção global de cobre depende diretamente da disponibilidade de ácido sulfúrico”, descreve o JP Morgan.
O banco sublinha que esta escassez ocorre no meio de uma “significativa desorganização” dos stocks, com os Estados Unidos a possuírem amplas reservas de cobre. “No entanto, os níveis de stock fora dos Estados Unidos aumentaram desde o início de 2026 devido à menor procura”, acrescentou.
“O stock global visível de cobre está agora em quase 1,5 milhões de toneladas, representando um aumento de 540 mil toneladas métricas (kmt) até agora este ano”, referiu o chefe de Estratégia de Metais Básicos e Preciosos do J.P. Morgan., Gregory Shearer.
O banco considerou que a procura de cobre “poderá ser impactada negativamente durante algum tempo” devido ao conflito em curso com o Irão, que está a provocar um “aumento dos preços do petróleo e a agravar as preocupações com uma possível perturbação macroeconómica mais ampla”.
A instituição bancária salientou que a procura de cobre é “amplamente vista como um barómetro” da saúde económica global. “Enquanto ativos altamente cíclicos, ligados aos ciclos de produção e ao consumo final nos setores da construção, transportes, serviços públicos e eletrodomésticos, a procura de metais básicos, incluindo o cobre, é extremamente sensível ao crescimento económico global”, sublinhou Gregory Shearer.
Petróleo influencia cobre
E o cobre acaba por ter ligação com o preço do petróleo. As contas do JP Morgan referem que por cada aumento de 10% nos preços do petróleo devido a um choque de oferta pode reduzir o PIB global em 0,16%. “O beta da procura de cobre em relação ao PIB global está estimado em 1,2, o que significa que, se o PIB global cair 1%, o crescimento da procura de cobre poderá cair 1,2% como consequência”, acrescentou.
“Por exemplo, estimamos que, se os preços do petróleo Brent se mantiverem em torno dos 110 dólares (94,84 euros) por barril (bbl) durante o resto deste ano, as nossas estimativas de crescimento da procura de cobre para 2026 poderão ser reduzidas em 1,4 pontos percentuais. O impacto no crescimento da procura certamente intensificar-se-ia se os preços do petróleo continuarem a subir”, disse Gregory Shearer.
O JP Morgan adiantou também, através da sua equipa de mineração para a região EMEA, que em termos históricos, os preços do cobre atingiram quedas de cerca de 25% em relação ao pico durante grandes choques macroeconómicos. “Embora não estejamos a prever uma recessão, a nossa análise de vendas anteriores sugere que a atual queda do cobre pode apresentar riscos adicionais de baixa caso os ventos contrários ao crescimento global se intensifiquem nas próximas semanas e meses”, disse o afirmou o chefe da equipa de Mineração e Metais da J.P. Morgan para a região EMEA e CEEMEA, Dominic O’Kane.