A Comissão de Acompanhamento e Observatório Social da mina da Borralha, que a Minerália quer explorar em Montalegre, junta moradores, associações, entidades públicas e a universidade do Minho, e quer assegurar a participação da comunidade, foi hoje divulgado.

A empresa quer explorar tungsténio (volfrâmio) e propõe uma exploração subterrânea na Borralha, no concelho de Montalegre, distrito de Vila Real, numa área mineira que esteve ativa até à década de 80 do século passado.

A mina da Borralha obteve em janeiro um parecer favorável condicionado, pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

A Minerália Minas, Geotecnia e Construções Lda. divulgou hoje, em comunicado, que no âmbito do projeto foi criada uma Comissão de Acompanhamento e Observatório Social que “dá voz permanente à comunidade”, que poderá, assim, acompanhar de “forma permanente o desenvolvimento da mina da Borralha”.

Tomaram posse nesta comissão, segundo adiantou, representantes do território, moradores, academia, entidades públicas, associações locais, agricultores, descrevendo este como um “modelo de participação comunitária que tem como objetivo reforçar a transparência, o diálogo e a confiança nas decisões em torno da atividade mineira”.

Segundo a empresa, esta comissão é constituída pela Câmara de Montalegre, Junta de Freguesia de Salto, Escola de Ciências da Universidade do Minho, Comunidade Local dos Baldios de Paredes, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salto, Associação Social e Cultural dos Amigos da Borralha, Grupo Desportivo e Cultural de Salto, Associação Borda D’Água, representante dos moradores da aldeia das Minas da Borralha, representante dos agricultores da freguesia de Salto e pela Minerália.

“Na prática, cria-se um canal permanente de escuta, monitorização, diálogo e ação conjunta”, refere a empresa, garantindo que se trata da “primeira iniciativa desta natureza associada à atividade mineira em Portugal”.

O parecer favorável da APA está condicionado à apresentação dos estudos e elementos, ao cumprimento das medidas e programas de monitorização, a par de condicionantes associadas à fase de construção e à fase de exploração.

A captação para abastecimento público existente na barragem da Venda Nova, localizada a jusante da mina, foi uma das principais preocupações mencionadas nas exposições submetidas no período de consulta pública do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da mina da Borralha, que decorreu entre 07 de outubro e 17 de novembro de 2025 e obteve 653 participações.

A Minerália, também através de comunicado, garantiu que o “tungsténio da mina da Borralha será explorado com água 100% reciclada e sem captação” em rios, barragens ou aquíferos ou outros recursos hídricos naturais, e “não terá descargas de água industrial para o ambiente”.

Ou seja, referiu, vai “reutilizar, em circuito fechado, a água da chuva acumulada ao longo de décadas nas galerias subterrâneas da antiga exploração”.

Explicou que, depois do encerramento da antiga exploração, em 1986, as galerias subterrâneas ficaram inundadas ao longo do tempo com água proveniente da chuva, infiltrada lentamente no solo e na rocha.

“Essa água já existente será tratada e reutilizada no processo produtivo. Neste sistema, a água usada na operação industrial regressa ao circuito depois de passar por controlo e tratamento, permitindo um reaproveitamento contínuo”, sublinhou.

A solução, segundo a empresa, “coloca a mina da Borralha em linha com práticas modernas da atividade mineira internacional, nas quais a reciclagem da água é utilizada para garantir maior controlo ambiental e reduzir a pressão sobre os recursos hídricos naturais”.

As minas da Borralha abriram em 1903, encerraram em 1986 e chegaram a ser um dos principais centros mineiros de exploração de volfrâmio em Portugal.

O tungsténio é um material estratégico militar, usado em munições e equipamentos de defesa.