O Banco de Portugal apresentou na sexta-feira o Relatório da Emissão Monetária relativo ao ano de 2025, revelando que, apesar da crescente digitalização dos pagamentos, o numerário mantém um papel fundamental na economia portuguesa, especialmente em situações de contingência.

O Relatório da Emissão Monetária 2025 reforça a visão do Banco de Portugal de que, mesmo num mundo cada vez mais digital, o dinheiro físico continua a ser um pilar de confiança, inclusão e resiliência do sistema de pagamentos português.

Em 2025, a Valora produziu 104 milhões de notas de 10 euros, cumprindo a quota portuguesa no Eurosistema. No entanto, a circulação líquida de notas continuou a diminuir. Entraram no banco central 8.879 milhões de euros, enquanto saíram apenas 6.022 milhões. Curiosamente, apesar do recorde nas receitas do turismo, o volume de notas que regressou ao banco baixou face a 2024, sugerindo que o público pode estar a guardar dinheiro físico como “reserva de valor”.

Inversamente, a moeda metálica continua a crescer. Saíram 67 milhões de euros do BdP, com as moedas de 1 e 2 cêntimos a dominarem a procura, representando 37% do total.

A emissão líquida de notas de euro continuou a registar uma diminuição em Portugal. Durante o ano, saíram do Banco de Portugal 6.022 milhões de euros em notas, enquanto entraram 8.879 milhões de euros. Apesar de as receitas do turismo terem atingido um novo recorde, o volume de notas devolvidas ao banco central diminuiu face a 2024. Os especialistas do Banco de Portugal apontam que este comportamento pode estar relacionado com o uso crescente do numerário como reserva de valor por parte das famílias.

Já no que respeita à moeda metálica, a emissão líquida manteve-se em crescimento: saíram 67 milhões de euros em moedas e entraram apenas 35 milhões. As moedas de 1 e 2 cêntimos continuaram a ser das mais requisitadas, representando em conjunto 37% do total de moedas distribuídas.

Falha de energia e telecomunicações reforça importância do dinheiro físico

Um dos momentos mais destacados do relatório ocorreu a 28 de abril de 2025, durante a falha generalizada de energia e telecomunicações que afetou o país. O Banco de Portugal garantiu, sem qualquer interrupção, os serviços de tesouraria prestados ao sistema bancário. Nos dias seguintes, verificou-se um aumento significativo tanto no número de operações de levantamento nos caixas automáticos como no valor médio levantado por operação.

O relatório sublinha a importância do numerário em cenários de contingência e deixa um conselho claro aos cidadãos. “É prudente que os cidadãos mantenham uma reserva de dinheiro físico, com notas e moedas de diferentes denominações, suficiente para fazer face a despesas essenciais e urgentes em caso de imprevisto.”

Ao longo de 2025, o Banco de Portugal verificou a genuinidade e qualidade de 382 milhões de notas e 82 milhões de moedas, explica o banco central em comunicado. Manualmente, foram analisadas e valorizadas 578 mil notas e 190 mil moedas degradadas, tendo sido reembolsados 11,3 milhões de euros aos cidadãos que as apresentaram.

As instituições de crédito e as empresas de transporte de valores analisaram cerca de 9 vezes mais notas e 24 vezes mais moedas do que o próprio Banco de Portugal. Para garantir o cumprimento das regras de recolocação do numerário em circulação, o Banco realizou 572 inspeções.

Da destruição de notas inaptas para circular resultaram 90 toneladas de fragmentos, na sua maioria incinerados para produção de eletricidade. O Banco de Portugal continua a estudar alternativas ambientalmente mais sustentáveis e, nesse âmbito, lançou o concurso “Vamos dar uma segunda vida às notas”, que envolveu a comunidade científica e tecnológica nacional. O trabalho desenvolvido nesta área foi distinguido com uma menção honrosa nos “Regional Banknote and ID Document of the Year Awards”.

Contrafação em níveis baixos

A contrafação de euros manteve-se em níveis reduzidos: foram detetadas 8.839 contrafações de notas e 2.657 de moedas.

Formação e apoio ao público

O Banco de Portugal intensificou as ações de formação sobre notas e moedas, tendo reunido mais de 18 mil participantes em ações presenciais e formado mais de 11 mil profissionais. Foi ainda lançada uma nova formação gratuita em e-learning sobre as notas de euro, destinada a retalhistas e aberta ao público em geral.

Durante o ano, cerca de 184 mil pessoas recorreram aos serviços de tesouraria do Banco de Portugal. O banco analisou ainda 853 reclamações de clientes bancários relacionadas com numerário.