A CGTP-IN reagiu, este sábado, classificando a decisão do Governo de criar a Prestação Social Única (PSU) como “inaceitável” e acusando o Executivo de tentar reduzir e limitar o acesso aos apoios públicos sob o pretexto de aproveitar fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Em comunicado, a intersindical afirma que a fusão de apoios com finalidades distintas — como o subsídio social de desemprego, velhice, viuvez, invalidez e subsídio social parental — desvirtua o sistema de proteção social.

Para a CGTP-IN, o argumento governamental de que a PSU trará “maior justiça social” esconde a intenção de restringir os apoios apenas a “situações extremas”, desresponsabilizando o Estado pelo agravamento da pobreza.

A central sindical manifestou forte indignação perante as declarações do Primeiro-Ministro, que afirmou estar “na altura de darem ao Estado aquilo que o Estado lhes tem dado”.

Segundo a CGTP-IN, esta postura reflete uma “visão retrógrada e profundamente anti-social”, que culpa os pobres e desempregados pela sua própria condição, ignorando que os grandes grupos económicos lucram “30 milhões de euros ao dia” num país marcado por profundas desigualdades.

O comunicado associa ainda a nova medida ao Pacote Laboral do Governo, criticando a insistência no “trabalho social” — que recorda ter sido classificado como “trabalho forçado” pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) durante o período da troika. A extinção do Subsídio Social de Desemprego (inicial e subsequente) é vista como um ataque direto aos trabalhadores precários, facilitando o alargamento dos contratos a termo.

A CGTP-IN defende a valorização de um Sistema de Segurança Social Público, Universal e Solidário. A organização exige o aumento substancial dos salários e das prestações sociais, o combate à precariedade e a melhoria da conciliação entre a vida profissional e familiar.