O setor da indústria metalúrgica e metalomecânica é um dos grandes motores das exportações nacionais, representando 24 mil milhões de euros, o que equivale a um terço das exportações da indústria transformadora portuguesa. No entanto, durante a conferência anual da AIMMAP, sob o mote “Vender Valor”, que se realizou a 27 de maio no campus da Universidade do Minho, em Guimarães, o presidente da associação, Vítor Neves, alertou para um “défice claro de ambição” por parte dos empresários portugueses.
Este é um setor constituído maioritariamente por microempresas, cerca de 81% do tecido empresarial, onde as grandes empresas representam apenas 1%. Mundialmente, o setor tem um valor acrescentado bruto de 6,3% do PIB, mas em Portugal este valor cai para 3%. Vítor Neves salientou que “somos muito bons a saber fazer, e a ser subcontratados, mas a verdade é que esta diferença demonstra como estamos limitados a uma gama muito pequena da cadeia de valor”.
Para impulsionar o setor, Vítor Neves apontou três questões fundamentais: a ambição (responsabilidade dos empresários), as políticas públicas (adaptadas para proporcionar crescimento) e uma reforma no Estado, que descreveu como “gordo, lento e burocrático”. Luís Aguiar-Conraria, professor catedrático da Universidade do Minho, reforçou que o entrave ao crescimento das empresas é “um problema da economia portuguesa”, destacando que “em Portugal as empresas continuam a não crescer”.
Aguiar-Conraria salientou que em Portugal apenas 0,1% das empresas são grandes, responsáveis por 20% do emprego, e que “grandes empresas são mais produtivas”. Ambos concordaram que a estrutura fiscal portuguesa é desfavorável, penalizando as grandes empresas. Na opinião de Vítor Neves, a baixa de impostos traria um “efeito benéfico”, enquanto Aguiar-Conraria classificou a estrutura fiscal como “muito estúpida” por “penalizar as grandes empresas”.