O Produto Interno Bruto (PIB) per capita português deverá cair para 80% da média da União Europeia, de acordo com as novas revisões do Instituto Nacional de Estatística (INE). A confirmação foi feita pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, durante uma audição na Comissão de Economia e Coesão Territorial, na Assembleia da República. O governante justificou a descida com o aumento significativo da população residente no país.
Em 2024, o PIB per capita estava em 82,4% da média europeia, em paridade de poder de compra, valor que já representava uma ligeira melhoria face aos 81,1% registados em 2023. O PIB per capita, que mede a produção média de bens e serviços por habitante, situava-se em cerca de 27 mil euros no ano passado, segundo dados do Eurostat.
“Isto é preocupante porque significa que nos últimos 30 anos Portugal não avançou neste indicador do PIB per capita, no poder de compra face à União Europeia”, lamentou Castro Almeida.
A 22 de junho, o INE anunciou que iria rever todos os indicadores ‘per capita’, incluindo PIB, emprego, educação e saúde. “A revisão das estimativas anuais de população residente para os anos de 2021 a 2024 tem impacto em diversas operações estatísticas do INE, nomeadamente na calibração (extrapolação) dos resultados de inquéritos por amostragem, com destaque para o inquérito ao Emprego”, explicou o instituto.
Entre 2021 e 2025, a população residente em Portugal aumentou 824.914 pessoas, com destaque para os anos de 2022, 2023 e 2024, que registaram fluxos migratórios excecionalmente elevados. Em 2025, o país contava com 11.424.031 residentes, dos quais 1.597.539 (14%) eram estrangeiros.
Governo define pilares para aproximar Portugal da média europeia
Para contrariar esta tendência, o governo definiu pilares estratégicos: investimento privado e público, inovação, produtividade e internacionalização, com enfoque nas exportações.
Entre as medidas concretas, destaca-se o lançamento, no outono, de um ‘fundo dos fundos’ para apoiar investimentos de empresas com menor capacidade financeira. Outra iniciativa é a integração da Inteligência Artificial (IA) nas Pequenas e Médias Empresas (PME). “Queremos ajudar as empresas a desenvolver programas de IA para introduzir a tecnologia nos seus processos produtivos”, afirmou Castro Almeida.
O executivo pretende também construir grandes e médios parques empresariais por todo o país, com seis parques previstos, cada um com áreas entre três e oito quilómetros quadrados. A reprogramação do Portugal 2030, reforçando tecnologia e descarbonização, e a reforma do licenciamento empresarial para energia competitiva e limpa são outras medidas anunciadas.
Portugal cresce mas ainda “muito longe” da média
Apesar das dificuldades, Castro Almeida salientou que no primeiro trimestre de 2026 o PIB português cresceu 2,3% em termos homólogos, superando os 0,3% da zona euro. “Em 2025 estivemos no topo dos países que mais aumentaram os salários. Em 2024 e 2025 aumentamos muito acima da média, mas estamos muito longe da média europeia. Temos de nos aproximar”, disse.
O ministro abordou ainda o desempenho de vários organismos sob a sua tutela. Na ASAE, os operadores fiscalizados cresceram 15%, os processos crime aumentaram 22% e as contra-ordenações subiram 7%. Já o IAPMEI, AICEP e Turismo de Portugal “não possuem um processo atrasado” nas suas candidaturas, segundo o governante.
Castro Almeida confirmou ainda que já foi aprovado o nono pedido de pagamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e que no outono será apresentado o décimo. “Estamos a trabalhar para não perdermos um euro das subvenções de Portugal”, garantiu.