A Agência Internacional da Energia (AIE) defendeu a diversificação do abastecimento de minerais críticos, atualmente dominado pela China, argumentando que o impacto nos preços para os consumidores seria limitado. A conclusão consta do relatório “Perspetivas Globais para os Minerais Críticos 2026”, que analisa a dependência ocidental de matérias-primas essenciais para a transição energética, inteligência artificial e indústria militar.

Segundo a AIE, como os minerais críticos representam uma pequena parcela do custo final dos produtos, grande parte do custo adicional da diversificação poderia ser absorvida sem grandes repercussões para os consumidores. Por exemplo, se os preços das terras raras triplicassem, o custo de um automóvel aumentaria apenas cerca de 0,1%. No caso dos materiais para baterias, um aumento semelhante elevaria o preço dos veículos elétricos e sistemas de armazenamento em aproximadamente 5%.

A agência sediada em Paris alerta que o principal risco geopolítico reside no controle chinês sobre componentes já fabricados, como as baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), amplamente utilizadas em veículos elétricos. A China detém posição dominante no refino e processamento de minerais como terras raras magnéticas, cobalto, gálio e germânio, vitais para chips de IA, robótica e defesa.

O relatório destaca que a dependência pode levar a aumentos significativos de preços caso Pequim restrinja exportações. Na Europa, os preços do gálio e das terras raras pesadas (disprósio e térbio) são cerca de cinco vezes superiores aos do mercado chinês, enquanto o germânio custa quase três vezes mais, evidenciando os desafios de garantir abastecimento fora do fornecedor dominante.

A AIE também sublinha o papel das reservas estratégicas e do armazenamento para reduzir a dependência. O custo anual líquido de manter reservas de segurança para os 11 materiais de maior risco seria inferior a 900 milhões de dólares (784 milhões de euros), considerado “insignificante” comparado aos biliões de dólares em produção industrial a jusante que poderiam ser protegidos. A produção nos setores automóvel, alta tecnologia, defesa e energia exposta a esse risco está avaliada em 6,5 biliões de dólares (5,6 biliões de euros) anuais.

O economista-chefe da AIE, Tim Gould, elogiou os sistemas de reservas estratégicas do Japão e da Coreia do Sul, enfatizando a importância de diversificar as cadeias de abastecimento. Tae-Yoon Kim, responsável pela área dos minerais críticos, destacou o crescimento da procura de minerais essenciais para o desenvolvimento da inteligência artificial.