Os promotores imobiliários querem continuar a ser parte da solução para resolver a crise de habitação em Portugal e pretendem fazê-lo em conjunto com o Estado, sem necessitar de benefícios especiais. “O setor imobiliário não quer privilégios, quer condições para fazer. Quer estabilidade para investir, quer previsibilidade para construir. Quer colaborar com o Estado na resposta aos desafios da habitação”, afirmou Hugo Santos Ferreira, presidente da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), durante a VII Conferência da Promoção Imobiliária em Portugal, realizada em Lisboa.

Ferreira destacou que, para continuar a responder aos desafios do país, os promotores imobiliários precisam de mais estabilidade, previsibilidade e de um Estado “mais rápido, moderno e eficiente”. “Sem incentivos à construção, não haverá aumento da oferta. Queremos mais condições para que possamos construir as casas que os portugueses podem pagar. Não basta pedir mais habitação, é preciso criar condições reais para que ela possa acontecer”, acrescentou.

Entre as medidas defendidas, o presidente da APPII enalteceu a descida do IVA para a taxa reduzida de 6%, considerando-a uma conquista do setor. “Sabemos que ainda há dúvidas. Ainda não conhecemos toda a operacionalização da medida, mas sabemos reconhecer o que ela representa: um passo essencial e importante, um sinal positivo, um reconhecimento político de algo que o setor defendia há anos”, salientou.

Ferreira também reforçou a necessidade de acelerar e simplificar os processos de licenciamento. “Cada mês perdido no licenciamento representa um investimento parado, representa menos oferta, representa famílias sem resposta, representa casas que não chegam ao mercado”, alertou.

Sobre a reforma do regime do arrendamento, o responsável acredita que só haverá mais casas para arrendar quando os proprietários recuperarem a confiança, pois sem segurança jurídica não há investimento. “Talvez finalmente comece a existir luz ao fundo do túnel”, afirmou.

O presidente da APPII defendeu o papel dos promotores imobiliários, considerando-os parte da solução e não do problema. “São eles que investem, que arriscam, que compram o terreno, que esperam e muitas vezes desesperam pelos licenciamentos. Apesar de todos estes constrangimentos, continuam a acreditar no nosso país”, referiu, salientando que o setor imobiliário foi frequentemente tratado com desconfiança, quando sempre foi parte da solução. “Hoje, o setor é mais profissional, mais sustentável, mais tecnológico e está mais preparado”, concluiu.