O Porto de Sines quer afirmar-se como um dos principais hubs europeus de energias verdes, mas o caminho ainda está numa fase decisiva e exigente, afirma Jaime Puna, vogal do conselho de administração, em entrevista à margem do evento Portugal China Green Maritime Fuels & Decarbonisation 2026. No imediato, Sines já desempenha um papel relevante no abastecimento energético, nomeadamente através do bunkering de GNL, com cerca de 32 abastecimentos realizados desde o ano passado.

“Já fizemos abastecimentos ship-to-ship em porto de gás natural liquefeito a navios de contentores”, explica Jaime Puna, apontando esta atividade como um primeiro passo na diversificação energética. Contudo, já está em análise fazer o mesmo abastecimento em fundeadouro, ou seja, no mar antes de entrar no porto. “A questão não é saber se precisamos ou não da descarbonização, a questão é saber como a fazer”, sublinhou o painel.

Nos combustíveis do futuro, a ambição concentra-se nos biocombustíveis e combustíveis sustentáveis para a aviação (SAF), produzidos na refinaria da Galp em Sines, utilizando matérias-primas como o HVO. O porto prepara-se para criar capacidade de armazenamento, com lançamento de um concurso público previsto a curto-prazo. “É algo que está em cima da mesa”, afirma o responsável.

No hidrogénio verde, a estratégia passa pela sua transformação em derivados como a amónia verde, com parcerias internacionais, nomeadamente com o porto de Roterdão. “Existem memorandos para exportação de hidrogénio, mas principalmente de amónia verde”, explica Jaime Puna. A ambição deverá materializar-se na próxima década, com projetos como o Madoqua, que prevê a produção de amónia verde no complexo de Sines a partir de 2030.

Em paralelo, o metanol verde surge como outra alternativa, pela sua facilidade de armazenamento e transporte, embora dependa de acesso a CO₂ sustentável. Jaime Puna reconhece que Portugal não parte na linha da frente face a países como Holanda ou Alemanha, mas sublinha que o país “está a trilhar o seu caminho”, alinhado com as metas europeias de neutralidade carbónica até 2050 — ou mesmo 2045 no caso português.