A produção de energia renovável em Portugal continuou a registar um bom desempenho em maio, mas o forte aumento do consumo de eletricidade levou a uma elevada dependência das importações, que atingiram 28% do total consumido, segundo a Adene.

Segundo os dados divulgados, o consumo de eletricidade no país cresceu 3,8% em maio face ao mesmo mês do ano anterior. As energias renováveis asseguraram 60,7% do consumo, enquanto as fontes não renováveis representaram apenas 11,3%. O saldo importador preencheu os restantes 28%, revelando uma maior necessidade de recorrer ao exterior para equilibrar a procura interna.

Esta situação resulta de um duplo efeito: por um lado, o sólido contributo das renováveis; por outro, o crescimento da procura que superou a capacidade de produção nacional.

No setor do gás natural, o consumo continuou a registar uma queda acentuada. Em maio, o uso de gás diminuiu 11,3% face ao ano anterior. Do total consumido, 24,7% foram destinados ao setor elétrico (centrais de ciclo combinado) e 75,3% ao mercado convencional. Este último segmento atingiu o valor mais baixo de consumo desde abril de 2025.

A Nigéria reforçou a sua liderança como principal fornecedor de gás natural para Portugal, consolidando a sua posição no abastecimento nacional.

Estes números ilustram a transição energética em curso no país, com as renováveis a ganharem peso, mas também expõem a vulnerabilidade do sistema quando o consumo cresce de forma significativa.