A indústria militar espanhola vive um momento de expansão sem precedentes, impulsionada pelo rearmamento europeu após a invasão russa da Ucrânia e pelo afastamento dos Estados Unidos. Segundo o jornal “Cinco Días”, o setor está a caçar talentos e o salário médio já ultrapassa os 80 mil euros, mais do dobro da média do setor de serviços.

O governo espanhol aumentou a despesa militar para 2% do PIB, com contratos milionários adjudicados a empresas como Indra, Escribano, Airbus e Navantia. Estes investimentos geraram um aumento na procura por engenheiros, especialistas digitais e profissionais STEM, criando uma competição acirrada com grandes grupos europeus.

Atualmente, o setor emprega 36 mil trabalhadores diretos, 37 mil indiretos e gera 15 mil postos induzidos. Contudo, o relatório “Diagnóstico del sector industrial de la defensa y seguridad en España”, apresentado pelos sindicatos UGT e CC OO e pela associação patronal Confemetal, alerta para a falta de mão de obra qualificada, que pode causar um estrangulamento. Além disso, destaca-se a fraca presença feminina – apenas 20,6% – e a necessidade de renovação geracional, com 240 mil reformas previstas na próxima década.