As rendas das casas em Portugal estão em queda há quatro meses, segundo os dados de maio do portal Idealista. De acordo com o mais recente Índice de Preços do Idealista, os valores de arrendamento caíram 2,9% em maio de 2026 face ao mesmo mês do ano anterior, atingindo um valor mediano de 16,3 euros por metro quadrado. Este é o valor mais baixo desde outubro de 2025, quando o país registou o máximo histórico de 17 euros/m².
A descida consolida uma tendência clara de alívio no mercado de arrendamento. Nos últimos quatro meses consecutivos, as rendas têm vindo a cair: -1,9% em janeiro, -1,4% em fevereiro, -1,2% em março e -2,7% em abril. Este arrefecimento prolongado contrasta com os aumentos acentuados verificados nos anos anteriores e representa uma boa notícia para as famílias portuguesas que procuram casa para arrendar.
Lisboa mantém-se cara, mas também baixa preços
Apesar de continuar a ser a cidade mais cara do país, com 21,8 euros/m², Lisboa registou uma descida anual de 2,7%. O Porto também segue a tendência negativa, com uma queda de 7,7% (16,4 euros/m²).
Embora as rendas das casas em Portugal tenham caído no último ano, o mesmo não se observa quando se analisa a maioria das grandes cidades. Os dados do idealista revelam que os preços das casas para arrendar aumentaram em 11 das 15 capitais de distrito ou de regiões autónomas analisadas e desceram nas restantes quatro.
Entre as capitais de distrito, registaram-se subidas em várias cidades do interior e ilhas (destacando-se Viana do Castelo com +17,5%, Castelo Branco com +14,8% e Faro com +11,2%), mas as descidas em centros urbanos importantes como Viseu (-8,4%), Porto e Lisboa pesam no balanço nacional.
A nível distrital, a Guarda lidera as descidas com -14,3%, seguida de Coimbra (-11,6%) e Viseu (-6%). O distrito de Lisboa desceu 2,2%. Apenas 13 dos 19 distritos e ilhas analisados apresentam aumentos, sendo Évora o que mais subiu (+14%).
Por regiões, o Norte (-6,4%) e o Centro (-2,4%) registam as quedas mais acentuadas. A Área Metropolitana de Lisboa também baixou 2,2%. Em contrapartida, os Açores (+12,5%), Alentejo (+9,3%) e Madeira (+8,8%) continuam a registar aumentos.
O relatório do Idealista baseia-se nos preços de oferta publicados na plataforma, eliminando anúncios atípicos e sem interação. A descida sustentada dos últimos meses sugere um possível ajustamento do mercado após anos de forte pressão, com mais oferta disponível e, eventualmente, menor procura em alguns segmentos.
O preço mediano nacional de 16,3 euros/m² afasta-se do pico histórico e pode indicar o início de um ciclo mais favorável aos arrendatários, especialmente nas grandes cidades.