A estreia em bolsa da SpaceX, que acontece esta sexta-feira, está a colocar os investidores em euforia. As previsões mais otimistas, nos mercados de previsão, como por exemplo Kalshi e Polymarket, colocam a empresa de foguetões, satélites e inteligência artificial (IA), de Elon Musk, a fechar o primeiro dia de negociação com um valor entre os dois e os quatro biliões de dólares, o que representaria uma valorização superior a 125% e de 35% face ao preço inicial de transação que é de 135 dólares e a uma avaliação inicial de 1,77 biliões de dólares (1.4 biliões de euros).

A recolha feita pela publicação Yahoo Finance refere que os mercados de previsão atribuem 1% de chance de que a SpaceX termine o primeiro dia de negociação com um valor de mercado acima dos quatro biliões de dólares. A se concretizar este cenário a empresa seria na pior das hipóteses a quarta cotada mais valiosa do mundo, ficando atrás da Nvidia, Alphabet (detentora do Google) e Apple. Isto implicaria que as ações ficassem acima dos 300 dólares (259 euros), uma valorização superior a 125% face ao preço inicial da oferta pública inicial (IPO).

Os mercados de previsão atribuem 38% de chance de que a SpaceX feche o seu dia de estreia em bolsa com um valor de mercado de 2,4 biliões de dólares (dois biliões de euros), que se traduziria em 185 dólares (159 euros) por ação, e uma subida de 35% face ao valor inicial do IPO. Isto colocaria a empresa como a sexta cotada mais valiosa ficando atrás da Nvidia, Alphabet, Apple, Microsoft e Amazon.

E também há quem ache que a empresa feche esta sexta-feira com um valor abaixo de um bilião de dólares, ou seja a acumular uma desvalorizar de cerca de 40% face ao preço inicial de negociação. Neste cenário a empresa seria na melhor das hipótese a 17ª cotada mais valiosa do mundo. Nesta altura só 16 cotadas estão no clube dos bilionários.

SpaceX coloca preço das ações em 135 dólares

A SpaceX inicia a sua estreia em bolsa com 555,6 milhões de ações em negociação, a um preço de 135 dólares cada, sendo que até 30% será alocado ao retalho. Este valor é também fora do comum. A norma é ficar entre entre os 5% e os 10%, como assinalou a Fidelity. O preço das ações colocam o valor da empresa nos 1,77 biliões de dólares (1,52 biliões de euros), deixando-a como a oitava cotada mais valiosa do mundo.

Na passada quarta-feira a procura por ações da SpaceX atingia os 250 mil milhões de dólares (216 mil milhões de euros), pelas contas feitas pela agência noticiosa Reuters. Este valor é quase quatro vezes superior aos 75 mil milhões de dólares (64,5 mil milhões de euros) que a empresa de Elon Musk, prevê levantar, esta sexta-feira, numa estreia em bolsa que deverá ser histórica. Recorde pertence à Saudi Aramco que levantou 25,5 mil milhões de dólares (21,9 mil milhões de euros) em 2019 na sua estreia nos mercados financeiros.

Elon Musk será o primeiro bilionário da história

Elon Musk vai também fazer história ao se tornar o primeiro bilionário de sempre. As suas participações na SpaceX, Tesla, Neuralink e Boring Company elevariam a sua fortuna para os 1,02 biliões de dólares (880 mil milhões de euros).

A posição que Elon Musk possui na SpaceX, onde detém um pouco mais de 40%, está avaliada em cerca de 708 mil milhões de dólares (612,9 mil milhões de euros). Os 12% que detém na Tesla está avaliada em cerca de 180 mil milhões de dólares (155 mil milhões de euros). E na Neuralink e na Boring Company estima-se um valor superior a 20 mil milhões de dólares (17,1 mil milhões de euros). E ainda tem as participações na xAI, que desenvolve inteligência artificial, e na rede social X. No total a fortuna de Elon Musk ficaria nos 1,02 biliões de dólares (cerca de 870 mil milhões de euros). Só 14 cotadas são bilionárias. A saber: Nvidia, Alphabet (proprietária da Google), Apple, Microsoft, Amazon, TSMC, Broadcom, Saudi Aramco, Tesla, Meta, Samsung, Micron, Berkshire Hathaway, e a Eli Lilly.

Anthropic e OpenAI oficializam entrada em bolsa

Este ano deve também ficar marcado pela entrada em bolsa da Anthropic e da OpenAI, que são a segunda e terceira não cotadas mais valiosas do mundo. Estas empresas, lideradas por Dario Amodei e Sam Altman, já oficializaram, em junho, a sua intenção de entrar no mercado de capitais junto do regulador dos mercados norte-americanos (SEC).

A Anthropic, que detém o Claude, manifestou a 1 de junho a sua intenção de entrar em bolsa, de forma confidencial, junto do regulador. Contudo não avançou em que data é que isso vai acontecer. Apenas referiu que isso dependerá das ‘condições de mercados e de outros fatores’.

Mas em março a Bloomberg avançava que a entrada em bolsa da Anthropic poderia ocorrer em outubro, no melhor cenário.

A Anthropic escolheu os bancos Goldman Sachs e o Morgan Stanley para liderar o seu IPO, avançou a agência noticiosa Bloomberg. Na operação vai participar também o JP Morgan Chase.

A expetativa é que a empresa angarie 60 mil milhões de dólares (52 mil milhões de dólares), o que superaria também o máximo estabelecido pela Saudi Aramco em 2019.

A última ronda de investimento da Anthropic colocou o valor da empresa em 965 mil milhões de dólares (827,9 mil milhões de euros).

A OpenAI formalizou a sua intenção de entrar em bolsa, junto da SEC, a 8 de junho.

‘Recentemente, submetemos um formulário S-1 confidencial. Prevemos que ele seja alvo de uma fuga, por isso estamos apenas a anunciá-lo. Ainda não definimos um cronograma; pode demorar um pouco, pois há coisas que queremos fazer que provavelmente serão mais fáceis como empresa não cotada. Mas é uma questão complexa de ponderação e isso dá-nos a opção de abrir o capital mais cedo, se for o melhor caminho’, disse a OpenAI ao regulador.

O ‘Wall Street Journal’ avançou, em janeiro, que a entrada em bolsa da empresa poderia acontecer no quarto trimestre do ano.

A última ronda de investimento da OpenAI colocou o valor da empresa em 852 mil milhões de dólares (731 mil milhões de euros).

A empresa terá tido negociações com o CitiGroup e o JP Morgan para que estes bancos trabalhem na entrada em bolsa da empresa, avançou a Bloomberg em junho, citando fontes conhecedoras do processo.

A confirmar-se, o Citigroup e o JP Morgan iriam juntar-se ao Goldman Sachs e ao Morgan Stanley neste processo de entrada em bolsa da empresa detentora do ChatGPT, avançaram as mesmas fontes à agência noticiosa.