Os principais pontos do acordo provisório e do memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão baseiam-se num plano para travar a guerra, estender o cessar-fogo e abrir caminho para novas negociações. Embora o presidente norte-americano Donald Trump tenha anunciado que o acordo está praticamente fechado, as autoridades de Teerão referem que o texto está na fase final mas ainda restam detalhes por oficializar. Mas, entretanto, segundo fontes citadas pela agência Reuters, Trump terá manifestado opinião segundo a qual o rascunho do acordo concederia demasiadas facilidades ao Irão – o que iria contra a teoria de Washington segundo a qual os Estados Unidos ganharam a guerra em toda a linha.
De qualquer modo, quatro aviões C-17 da Força Aérea dos Estados Unidos partiram para a Europa na quinta-feira, transportando equipamentos para uma possível viagem do vice-presidente JD Vance, que deverá ser o representante da administração Trump na futura cerimónia de assinatura do acordo. Genebra, na Suíça, era o destino dos aviões. O próximo fim-de-semana a apontado como a data provável para a assinatura do acordo entre as duas partes.
Com base nas informações divulgados pelas agências oficiais os pilares centrais da proposta de entendimento passam por um cessar-fogo e por um pacto de não agressão, que estabelece um período inicial de tréguas de 60 dias entre Washington e Teerão. O objetivo é estender esta trégua e tentar alargar o fim das hostilidades a outras frentes na região, como o Líbano.
No que tem a ver com o comércio, o Irão compromete-se a reabrir de imediato o Estreito de Ormuz e a parar o bloqueio naval nesta rota vital para o mundo interiro. Teerão fica ainda com a responsabilidade de iniciar a remoção rápida das minas marítimas de que aquela zona ficou cheia.
O Irão aceita suspender temporariamente o seu programa nuclear e cooperar com inspeções – que ficarão em princípio a cargo da agência internacional que controla o nuclear. O rascunho prevê que o Irão elimine ou transfira cerca de 450 kg de urânio enriquecido. Por outro lado, tema caro a Israel, o acordo inclui balizas temporárias e restrições ao desenvolvimento do programa de mísseis balísticos iraniano.
Quanto ao alívio económico e financeiro, está prevista a criação de um fundo internacional de investimento para o Irão, que pode chegar a cerca de 300 mil milhões de dólares, focado na reconstrução do país. Para mais, o Irão poderá recuperar o acesso a fundos que estavam bloqueados no estrangeiro, estimando-se a libertação de até 24 mil milhões de dólares durante o período de negociação. Metade deste valor poderá ser disponibilizada antes do início formal da próxima ronda de conversações. Do seu lado, os Estados Unidos comprometem-se a não aplicar novas sanções económicas durante as negociações – com a possibilidade da sua eliminação total se o acordo final for cumprido com sucesso.
Nesta altura, o preço do petróleo brent está um pouco acima dos 87 dólares por barril, com tendência para manter a descida.