O Irão ameaçou hoje romper as negociações de paz que mantém com os Estados Unidos, na sequência de um ataque israelita à cidade libanesa de Beirute, que provocou pelo menos três mortos e 15 feridos.
“Se não houver vontade ou capacidade para cumprir os compromissos, é impossível falar de continuar este caminho”, advertiu Mohamad Qalibaf, negociador-chefe iraniano, citado pela agência EFE, em reação ao ataque no bairro de Dahye, no sul da capital libanesa.
O também presidente do parlamento do Irão acusou os Estados Unidos de darem “luz verde” a Israel, defendendo que a chamada estratégia do “polícia bom, polícia mau” está ultrapassada.
Israel anunciou hoje que realizou ataques aéreos nos subúrbios do sul de Beirute, considerados um reduto do grupo armado pró-Irão Hezbollah, enquanto um meio de comunicação estatal libanês noticiou um bombardeamento no distrito de Ghobeiry.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que os ataques visaram o distrito de Dahiyeh, em Beirute, em resposta aos disparos do Hezbollah contra o território israelita, sublinhando que “Israel não tolerará nenhum ataque ao seu território”.
De acordo com a Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA), o ataque causou pelo menos três mortes e 15 feridos, além de danos significativos em edifícios residenciais e estabelecimentos comerciais.
Este ataque surge num momento em que os Estados Unidos e o Irão estariam próximos de assinar um memorando de entendimento, com vista à reabertura do estreito de Ormuz e ao início de negociações alargadas sobre o programa nuclear iraniano.
Quando Israel atacou os subúrbios de Beirute pela última vez, há uma semana, o Irão respondeu com ataques contra território israelita.
Teerão, principal apoiador do Hezbollah, insiste em que qualquer acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão também deve incluir o fim dos ataques israelitas no Líbano.
O Hezbollah lançou mísseis contra Israel em 02 de março, dois dias depois de os Estados Unidos e Israel atacarem o Irão, desencadeando a atual guerra no Médio Oriente.