A Inteligência Artificial é um dos temas do ano e a formação executiva não foge à regra. Era de esperar. À medida que os indivíduos e as empresas adotam ferramentas de IA, cresce a procura por formação específica nesta área do conhecimento.
“Estamos a assistir a uma transformação estrutural na forma como as organizações operam e tomam decisões. É fundamental que os profissionais desenvolvam competências que lhes permitam aplicar novas ferramentas de IA de forma crítica, ética e estratégica”, explica José Crespo de Carvalho, presidente do Iscte Executive Education.
A instituição está a reforçar de forma significativa a oferta nesta área, o que reflete a diversidade de perfis e necessidades do mercado, desde gestores e decisores a perfis mais técnicos.
Também no ISEG Executive Education, inteligência artificial e data science têm-se destacado, no primeiro semestre. “O que nos parece mais significativo este ano não é apenas o volume, é a amplitude”, afirma Joana Santos Silva, CEO da Escola, ao JE. A procura revela-se “muito sólida” em domínios como liderança, estratégia, compliance, ESG, vendas, marketing e finanças, o que, na sua leitura, “sugere que os profissionais e as empresas estão a responder a uma agenda de transformação que é simultaneamente tecnológica, regulatória e humana”.
O ISEG introduziu novos programas em áreas como gestão de projetos e gestão financeira para PME e a adesão foi positiva desde a primeira edição, revela Joana Santos Silva, o que, justifica, “valida a leitura feita sobre necessidades emergentes no mercado”.
Em termos comparativos “não houve uma disrupção de tendência, mas antes uma consolidação do crescimento da procura. Não deixando de destacar que vemos públicos mais diferenciados a procurarem formação executiva de forma mais estruturada”, adianta a CEO.
A Portucalense Business School está em linha com a tendência. IA, análise de dados e sustentabilidade, explica Marta Lopes Ferreira, coordenadora executiva, “deixaram de ser temáticas complementares para passarem a ser estruturantes nos modelos de negócio atuais, influenciando diretamente a forma como as organizações operam, tomam decisões e criam valor.”
Na Portucalense, a integração destes temas nos programas formativos tem vindo a ser feita de “forma progressiva e intencional”, garantindo que “os conteúdos acompanham as tendências emergentes e respondem às necessidades reais do mercado.”
A Católica Porto Business School confirma: as temáticas mais procuradas estão hoje fortemente ligadas à transformação digital, à IA, à sustentabilidade e à regeneração. “São áreas que trazem oportunidades, mas também preocupações muito concretas para as empresas, que sentem necessidade de preparar as suas equipas, rever os modelos de governação e reforçar a sua resiliência”, adianta João Pinto, dean da CPBS ao JE.
Segundo este responsável, mantêm-se “muito relevantes” as áreas mais clássicas da gestão e da liderança. “As organizações continuam a investir na capacitação de quadros superiores e intermédios, seja para responder a processos de crescimento, internacionalização, sucessão ou transformação interna”, justifica.
Na AESE Business School, as áreas de liderança, estratégia e gestão de pessoas continuam a ser centrais na formação aberta. Num contexto de mudança acelerada, cresce também o interesse pela IA, transformação digital e inovação, revela Pedro Nuno Ferreira, assistant professor da business school.
“Mais do que uma rutura face ao ano anterior, observamos uma evolução: mantém-se o foco na qualidade da decisão e da liderança, agora complementado pela necessidade de integrar novas tecnologias e reforçar a capacidade de adaptação e criação de valor sustentável.”