Andrew Steer, especialista britânico em desenvolvimento sustentável e ex-presidente do Bezos Earth Fund, esteve recentemente em Portugal e, em entrevista ao Jornal Económico, elogiou a liderança portuguesa na área do oceano. Steer destacou que Portugal influenciou a União Europeia a ser mais ambiciosa nas zonas marinhas protegidas e teve um papel crucial no Tratado do Alto Mar, assinado em 2023 e com efeitos jurídicos a partir de 2026.
“Portugal tem um conhecimento científico profundo. Foi Portugal que puxou os assuntos marítimos para grande destaque nas Nações Unidas. Portugal tem centenas de anos de exploração no oceano. Portugal é um verdadeiro líder no oceano”, afirmou Steer.
Apesar dos elogios, Steer alertou para a necessidade de maior proteção marinha global. Criticou a perceção de que o oceano é “grátis” e ilimitado, defendendo a suspensão de subsídios à pesca (embora ressalve que tal “não se aplica a Portugal”) e uma regulação mais clara sobre transporte marítimo, poluição e alterações climáticas.
“Mais de 90% do aquecimento global vai para o oceano, causando temperaturas mais elevadas e acidificação. Se gostamos do oceano, temos de levar a mudança climática a sério”, explicou.
Steer também citou o exemplo das correntes oceânicas: “A Corrente do Golfo pode enfraquecer, tornando o Reino Unido e a Europa do Norte quase semiárticas num século”. Ele apelou à cooperação internacional, destacando o trabalho do Bezos Earth Fund na criação da maior área protegida transnacional, envolvendo Equador, Colômbia, Costa Rica e Panamá.