A nova União da Poupança e do Investimento (SIU) da União Europeia está a ganhar importância no panorama financeiro europeu, à medida que Bruxelas avança de uma estratégia genérica para medidas legislativas e regulamentares concretas. No entanto, a persistente fragmentação dos mercados financeiros continua a ser o principal obstáculo para que a iniciativa produza benefícios significativos no acesso ao crédito e no financiamento da economia. Quem o diz é a agência de rating canadiana Morningstar DBRS.

De acordo com uma análise da Morningstar DBRS, a SIU poderá fortalecer, a médio e longo prazo, os mercados de capitais europeus, beneficiando bancos, seguradoras, gestores de ativos e outros investidores institucionais. Mas, os impactos positivos deverão ser, para já, apenas marginais.

Entre os principais benefícios identificados está a criação de um quadro europeu de titularização mais eficiente, permitindo aos bancos melhorar a gestão dos seus balanços, libertar capital e aumentar a capacidade de concessão de crédito, desde que sejam preservadas as salvaguardas prudenciais. A agência considera ainda que uma supervisão mais integrada e a redução das barreiras entre os diferentes mercados nacionais poderão reforçar a resiliência e a competitividade do sistema financeiro europeu.

Apesar destes avanços, os especialistas alertam que diferenças nos regimes fiscais, jurídicos e de insolvência entre os Estados-membros continuam a limitar a verdadeira integração do mercado único de capitais.

“Apesar de um impulso político mais claro, a fragmentação continua a ser o principal obstáculo ao retorno de crédito da SIU”, afirma Marcos Alvarez, Diretor-Geral de Notações de Instituições Financeiras Globais da Morningstar DBRS. “Embora os mercados de capitais da UE estejam certamente mais coordenados do que há uma década, não alcançaram um estado de integração, e a agenda da SIU continua a avançar por múltiplas vias legislativas e políticas, em vez de se orientar para um único quadro de mercado integrado.”

A análise conclui que a implementação da SIU deverá traduzir-se numa melhoria gradual, e não numa transformação rápida, dos mercados financeiros europeus. O sucesso da iniciativa dependerá, em grande medida, da capacidade da União Europeia em ultrapassar a fragmentação estrutural e criar um ambiente mais uniforme para o investimento e o financiamento transfronteiriço.

A DBRS avança que, num contexto marcado pela crescente incerteza geopolítica e pela necessidade de mobilizar capital para áreas estratégicas como infraestruturas, defesa e inteligência artificial, a concretização da União da Poupança e do Investimento poderá desempenhar um papel decisivo no reforço da autonomia financeira e da competitividade da Europa.