O Banco Comercial Português (BCP) alcançou hoje um marco histórico na Euronext Lisbon. Numa sessão de fortes ganhos na bolsa de Lisboa, as ações do banco liderado por Miguel Maya superaram a barreira psicológica de 1,00 euro, um valor que já não era visto nas tabelas de negociação da instituição financeira desde 2015.
A cotada portuguesa assistiu a uma subida de 1,44%, fixando-se nos 1,002 euros a meio da sessão desta quarta-feira e consolidando uma trajetória de ganhos que se estende há cinco sessões consecutivas. Com este desempenho, o BCP abandona oficialmente o estatuto de penny stock (termo utilizado nos mercados financeiros para designar ações que negoceiam abaixo de uma unidade da sua moeda de referência).
A subida consistente registada ao longo de 2024, 2025 e do primeiro semestre de 2026 foi impulsionada pela forte apresentação de resultados líquidos, a retoma do pagamento de dividendos e o anúncio de programas substanciais de recompra de ações.
A ajudar esteve também a recente redução das tensões geopolíticas globais que deu espaço para o otimismo dos investidores no setor bancário europeu e a confiança dos analistas no título, já que nas últimas semanas, grandes casas de investimento como o Morgan Stanley reviram em alta o preço-alvo do banco, impulsionando a pressão compradora.
Recorde-se que em outubro de 2016, o banco realizou um agrupamento de ações (reverse stock split) à razão de 1 nova ação por cada 75 antigas. Na altura, o valor ajustado das ações saltou artificialmente para cerca de 1,34 euros para evitar que a cotação continuasse em frações de cêntimo, mas a tendência de queda que se seguiu empurrou o título rapidamente para baixo de um euro nos meses seguintes.
Em 2020, fustigado pelas incertezas da pandemia e pelo peso dos litígios legais na sua subsidiária polaca (Bank Millennium), o BCP chegou a ver os seus títulos negociados abaixo dos 10 cêntimos. Caiu para o mínimo de 0,0680 euros a 27 de outubro de 2020.
O valor da ação do BCP atingiu o seu pico de 17,35 euros a 25 de junho de 2007, antes da crise financeira global.