Num cenário de tensões crescentes no Médio Oriente, uma nova estratégia israelita parece emergir, revelando uma troca complexa de concessões. Segundo uma análise intitulada “A Arte da Guerra”, Israel estaria a “vender” a sua contenção em relação ao Irão em troca de uma “mão livre” para agir em Gaza e na Cisjordânia. Esta abordagem, aparentemente paradoxal, reflete uma lógica de prioridades e de sobrevivência política, onde a segurança a longo prazo é negociada com ações imediatas.
A premissa central desta análise é que Israel, ao evitar uma escalada militar direta com o Irão – que poderia desencadear um conflito regional devastador –, estaria a garantir o apoio tácito ou explícito de potências ocidentais, especialmente os Estados Unidos, para operar com maior liberdade nos territórios palestinianos. A troca seria, então, a aceitação de uma ameaça nuclear iraniana latente em troca de uma margem de manobra para esmagar a resistência palestiniana e expandir assentamentos.
Esta estratégia, que evoca os ensinamentos de Sun Tzu, sugere que a verdadeira arte da guerra reside em saber quando lutar e quando recuar. Para Israel, a contenção no Irão não é um sinal de fraqueza, mas sim uma tática para concentrar recursos e esforços nos conflitos mais imediatos e, na sua visão, mais ameaçadores para a sua existência. O Irão, embora seja um adversário formidável, é visto como um problema que pode ser gerido através de diplomacia, sanções e guerra clandestina, enquanto Gaza e a Cisjordânia representam ameaças existenciais mais prementes.
Contudo, esta política de “mão livre” tem custos elevados. A comunidade internacional, incluindo aliados europeus, tem criticado duramente as operações militares israelitas nos territórios ocupados, que resultam em elevado número de vítimas civis e na destruição de infraestruturas. A questão dos direitos humanos e do direito internacional está no centro do debate, e a perceção de que Israel está a usar o Irão como justificação para ações desproporcionais em Gaza e na Cisjordânia pode corroer o seu apoio diplomático a longo prazo.
Por outro lado, os defensores desta estratégia argumentam que a ameaça iraniana é real e que a contenção é a única forma de evitar uma guerra total para a qual ninguém está preparado. Ao mesmo tempo, a necessidade de garantir a segurança interna e o combate ao terrorismo justificariam, na sua perspetiva, as ações em Gaza e na Cisjordânia. A paz, neste cenário, é adiada em nome da segurança.
As recentes escaladas em Gaza, com ataques aéreos e lançamentos de foguetes, bem como as incursões do exército israelita na Cisjordânia, parecem confirmar esta tendência. O governo de Israel, liderado por Benjamin Netanyahu, enfrenta uma pressão interna considerável, e a resposta aos ataques é vista como crucial para a sua sobrevivência política. A “mão livre” em Gaza e na Cisjordânia, portanto, não é apenas uma questão de segurança, mas também uma forma de consolidar o poder interno.
Em suma, a análise intitulada “A Arte da Guerra” sugere que Israel está a jogar um jogo de xadrez complexo, onde a contenção no Irão é a peça sacrificada para garantir a vitória nos tabuleiros mais próximos – Gaza e Cisjordânia. Esta estratégia, embora possa trazer ganhos a curto prazo, esconde riscos enormes, incluindo o aprofundamento do isolamento internacional e a possibilidade de um conflito regional incontrolável no futuro.