O investigador português Raul Leal Gaião lançou um novo dicionário do crioulo de Macau, o patuá, que está “gravemente ameaçado de extinção”, segundo a UNESCO. A obra, intitulada “Papiá Nôsso Língu, Dicionário de Patuá di Macau”, foi publicada com o apoio da Universidade de Macau e apresentada durante o 2.º Fórum Internacional das Línguas Chinesa e Portuguesa.
Embora o patuá “já não seja exatamente uma língua viva”, Gaião espera que o dicionário “desperte o interesse pela língua para que continue a ser estudada e compreendida, sobretudo pela nova geração de macaenses”. O patuá foi criado ao longo dos últimos 400 anos no seio dos macaenses, uma comunidade euro-asiática composta sobretudo por lusodescendentes.
Os três volumes representam uma extensão de um primeiro dicionário, lançado em 2019, baseado nos escritos de José dos Santos Ferreira (Adé). O novo dicionário integra outras fontes, incluindo o trabalho de Miguel Senna Fernandes, encenador do grupo Dóci Papiaçam, que promove peças de teatro em patuá. As definições incluem, quando possível, comparações com o crioulo de Malaca, na Malásia.
A UNESCO considera o patuá “gravemente ameaçado”, o nível antes da extinção. O declínio começou devido à imposição do português nas escolas e ao estigma em torno do crioulo, visto como “língua das nhonhas (mulheres) e pessoas pouco instruídas”. A publicação é celebrada por figuras como Anabela Ritchie, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Macau, que espera que a obra seja referência para estudiosos.