Começou ao final da tarde desta quinta-feira uma cimeira de dois dias dos líderes da União Europeia, que, a convite do presidente do Conselho Europeu, António Costa, vai debater uma série de assuntos, entre eles o orçamento de longo prazo para o período de 2028-2034. A Ucrânia, a situação no Médio Oriente e a imigração também estão na agenda e, como não podia deixar de ser, os líderes ouvirão o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, sobre os últimos acontecimentos na Ucrânia.

No que diz respeito ao alargamento da União, os líderes irão discutir a abertura do primeiro conjunto de capítulos nas negociações de adesão com a Ucrânia e a Moldávia. “Este é um reconhecimento da determinação, coragem e trabalho árduo demonstrados por ambos os países na promoção de reformas, mesmo diante de imensos desafios. E um sinal de que a oferta da UE de paz, estabilidade e oportunidades é inigualável”, refere António Costa na carta-convite. Nesse contexto, Costa observou que há um novo ímpeto no processo de alargamento, algo que também pôde ser constatado na recente cimeira UE-Balcãs Ocidentais em Tivat.

Os líderes do bloco irão analisar os progressos da agenda ‘Uma Europa, Um Mercado’, que define medidas concretas e cronogramas para iniciativas legislativas e políticas em cinco áreas-chave: simplificar as regras e reduzir os encargos administrativos; aprofundando e fortalecendo o mercado único; promover uma agenda comercial ambiciosa; reduzir os custos de energia e, ao mesmo tempo, promover a descarbonização; e acelerar a transformação digital e da inteligência artificial.

“A Europa precisa fazer a sua lição de casa econômica, mas, ao mesmo tempo, a concorrência justa em nível global exige condições equitativas”, disse o português que lidera o Conselho Europeu.

Os líderes também discutirão os desequilíbrios macroeconómicos globais e o seu impacto na competitividade e prosperidade da Europa. O debate terá como objetivo construir um entendimento comum sobre os desafios enfrentados e orientar o trabalho futuro da Comissão.

Os presentes “continuarão as discussões sobre o próximo quadro financeiro de longo prazo, com base no Conselho Europeu informal realizado no Chipre, de 23 a 24 de abril de 2026. Partindo do conjunto de propostas apresentado pela presidência cipriota em 11 de junho de 2026, debaterão os principais elementos do orçamento de longo prazo, incluindo o progresso na obtenção de novos recursos próprios. O objetivo é criar as condições para que se chegue a um acordo até o final do ano”, refere nota oficial do Conselho.

Os líderes da UE discutirão os últimos acontecimentos no Oriente Médio, “incluindo: o conflito no Irão e o seu impacto nos preços da energia; a situação dramática em Gaza e na Cisjordânia; e os desenvolvimentos no Líbano, incluindo o apoio contínuo da UE ao cessar-fogo e ao Estado libanês e ao seu povo”.

Espaço ainda para a União discutir a implementação da agenda de prontidão de defesa do bloco. “As recentes incursões de drones no espaço aéreo da UE, incluindo a queda de um drone russo carregado com explosivos na Roménia, destacaram a necessidade urgente de ações contínuas nesta área, inclusivamente por meio do fortalecimento da fronteira leste da EU”.

Por outro lado, os líderes da UE farão um balanço dos progressos alcançados na implementação das conclusões anteriores do Conselho Europeu sobre imigração, “para garantir que o trabalho continue em ritmo acelerado em todas as áreas prioritárias”.

Os líderes da UE farão ainda um balanço sobre os esforços para combater as drogas ilícitas, “um desafio que tem um impacto direto na vida dos cidadãos e nas sociedades europeias. Nesse contexto, discutirão a implementação da estratégia da UE em matéria de drogas”.