As insolvências empresariais globais registaram um aumento de 12% desde o início do ano, com uma deterioração do clima empresarial. De acordo com a Coface, a América do Norte foi o principal motor do aumento global, com uma subida de 22% nas insolvências.

As tensões geopolíticas, nomeadamente o conflito no Médio Oriente, têm estado a alimentar esta tendência. O conflito tem impactos no aumento dos custos de fornecimento, dá uma maior volatilidade aos preços da energia e tem criado uma maior incerteza sobre as decisões de investimento, o que tem penalizado as empresas.

Perante este contexto, a Coface reviu as suas previsões para este ano, apontando agora para que as insolvências crescem 6%, mais do dobre do que o crescimento antecipado no início do ano.

“São esperados aumentos significativos nos Estados Unidos (+8%), França (+8%) e Japão (+7%), enquanto a Alemanha e os Países Baixos deverão registar subidas de cerca de 5%. Aumentos mais moderados, entre 2% e 3%, são esperados em Espanha, Itália e Reino Unido”, refere em comunicado.

As taxas de juro, que continuam elevadas, também pesam nas empresas, uma vez que mantém o custo do crédito persistentemente elevado. “Esta restrição é ainda mais significativa dado que as empresas entram nesta fase com níveis historicamente altos de endividamento. Consequentemente, mesmo pequenas alterações nas condições de financiamento podem ter um impacto desproporcionado: um aumento de apenas 25 pontos base nas taxas de juro seria suficiente para acelerar novamente os incumprimentos globais e aproximar o seu crescimento dos níveis observados em 2025”, indicam.

Toda esta situação é penalizadora, principalmente, para setores mais suscetíveis aos ciclos económicos, como é o caso da construção, indústria química e setor têxtil. Nos Estados Unidos o setor industrial e da construção já tem sentido um forte aumento dos custos de financiamento e uma diminuição na procura.

Na Alemanha os elevados preços da energia penalizam a indústria, em França as taxas de juro têm impactado no setor da construção.

“Esta vulnerabilidade é ainda mais pronunciada nas PME, que são frequentemente menos diversificadas e mais expostas a flutuações de tesouraria”, aponta.

A gestora de risco de crédito comercial salienta que durante os últimos anos as insolvências foram contidas devido aos apoios governamentais. O apoio orçamental das principais economias europeias entre 2022-2023 representou 2-4% do PIB, um valor que agora é muito menor.

“Além disso, as intervenções recentes são mais direcionadas. Embora isso possa ajudar os setores e empresas mais vulneráveis, é improvável que ofereça o mesmo amortecedor abrangente observado em crises anteriores. Como resultado, a capacidade da política pública para conter o aumento das insolvências parece mais limitada”, declara.