Babell, modo de usar. Compre um livro numa das livrarias aderentes, são mais de 50. O preço não importa. Receba uma senha com um código e escolha a sessão a que quer assistir. Introduza o código no site babell.pt para reservar lugar e receber o bilhete no seu e-mail. Há todo um mundo de sessões literárias, concertos, exposições, poesia, performances, colóquios e programação infantil a descobrir. Pois este Babell vai aterrar com estrondo no Porto, entre 24 e 29 de junho, ocupando ruas, praças, jardins, auditórios e edifícios históricos. Para celebrar a literatura como experiência urbana, coletiva e vivida.

Promovido pela Fundação Livraria Lello, em coprodução com a Câmara Municipal do Porto, Babell nasce no contexto da celebração dos 120 anos da icónica livraria portuense, hoje Monumento Nacional, e quer afirmar-se como expressão de uma visão para a cidade, que valoriza o território através do investimento na cultura. Como explica Rui Couceiro, Comissário do Babell, ao JE, “da parte da Fundação Livraria Lello, estamos a falar de um investimento superior a 3 milhões de euros. E de uma equipa que ultrapassa as 800 pessoas.” Diz-nos, ainda, que este evento “é uma forma poética de promover o território, mas é também, entre outros aspetos, uma enormíssima campanha de divulgação do livro e da leitura, pela forma de acesso às sessões.”

O que esperar desta primeira edição? Uma “porta do céu” entreaberta para o pensamento de nomes maiores da literatura mundial, como Salman Rushdie, Margaret Atwood, Olga Tokarczuk e Javier Cercas. E ainda Julian Barnes, László Krasznahorkai, Héctor Abad Faciolince e Byung-Chul Han. A força e a diversidade da literatura em língua portuguesa estará, igualmente, representada. Lídia Jorge, Gonçalo M. Tavares, Valter Hugo Mãe, Conceição Evaristo, Milton Hatoum, João de Melo, Dulce Maria Cardoso, Djaimilia Pereira de Almeida, Ana Paula Tavares e Bruno Vieira Amaral, entre muitos outros, cujas presenças contribuem para a promoção do diálogo entre diferentes gerações, geografias e experiências literárias.

O Jardim do Pensamento
A realização do Babell coincide ainda com duas datas simbólicas para o Porto: os 25 anos da Porto 2001 – Capital Europeia da Cultura e os 30 anos da classificação do Centro Histórico como Património Mundial da UNESCO. Não é por acaso que se desenhou este evento como um percurso pedonal. As sessões não se sobrepõem e terão intervalos de trinta minutos: quinze para sair e entrar, quinze para deslocação. Ligar a literatura ao conceito mundialmente conhecido da “cidade dos 15 minutos”, preconizado pelo urbanista Carlos Moreno, é outra vertente que o Babell quer pôr em prática.

A música tem presença garantida no Babell, tal como as artes plásticas nos seus mais diversos suportes. Destaque para as criações de Ana Vidigal, que leva a exposição “Desenhos do Cinismo e Melancolia” ao Museu Nacional Soares dos Reis, e para os retratos de escritores do fotógrafo argentino Daniel Mordzinski, no Centro Português de Fotografia, instalado na antiga Cadeia da Relação, onde estiveram detidos presos políticos e figuras da cultura, como Camilo Castelo Branco.

Tudo acontece no centro histórico do Porto, salvo a abertura, a 24 de junho, que tem como pano de fundo o Mosteiro de Leça do Balio, sede da Fundação Livraria Lello, em Matosinhos e o novel Jardim do Pensamento, com quatro hectares, na margem do rio Leça. Um projeto conjunto de Siza Vieira — responsável por catorze esculturas — e Sidónio Pardal, que convida ao resgate de uma das mais antigas tecnologias: a escuta. Que é, também, um dos temas que o conhecido filósofo germano-coreano Byung-Chul Han irá abordar, neste mesmo jardim, no dia da abertura do Babell, a par da importância de abrandar e desligar. Momento para dar o poder à palavra e celebrar a liberdade de pensamento.