A Geração Z, nascidos entre meados dos anos 90 e o início dos anos 2010, está a entrar em força no mercado de trabalho e no universo do consumo, trazendo consigo uma forma de gerir dinheiro radicalmente diferente da dos seus pais e avós. Criados num mundo digital, moldados por crises económicas sucessivas e por uma consciência ambiental mais aguda, estes jovens estão a redesenhar hábitos financeiros que obrigam empresas, bancos e legisladores a repensar as suas estratégias.
Ao contrário do estereótipo de geração “gastadora”, vários estudos internacionais mostram que a Geração Z começa a poupar mais cedo do que os Millennials. No entanto, fazem-no de forma diferente: preferem aplicações de poupança automática, contas digitais sem comissões e plataformas de investimento simplificado a produtos bancários tradicionais. A confiança nos bancos clássicos é menor, substituída por fintechs que oferecem transparência, rapidez e interfaces intuitivas.
Esta geração associa consumo a valores. Sustentabilidade, ética empresarial e transparência na cadeia de produção pesam nas decisões de compra tanto quanto o preço. Isto não significa que gastem menos. Pelo contrário, estão dispostos a pagar mais por produtos alinhados com as suas convicções. Ao mesmo tempo, recorrem cada vez mais ao mercado em segunda mão, ao aluguer de bens (desde roupa a eletrodomésticos) e a modelos de subscrição, preferindo o acesso à posse.
O emprego a tempo inteiro deixou de ser o único objetivo de muitos jovens. A “side hustle” (atividade paralela geradora de rendimento) tornou-se prática comum: criação de conteúdos digitais, comércio online ou freelance em plataformas globais. Esta diversificação reflete tanto a procura por autonomia financeira como uma resposta à precariedade laboral e à subida do custo de vida.
Se os Millennials começaram a democratizar o investimento em bolsa através de aplicações móveis, a Geração Z foi mais longe: discute finanças pessoais abertamente nas redes sociais. Plataformas como TikTok e YouTube tornaram-se espaços de literacia financeira informal, num fenómeno apelidado de “FinTok”, com vantagens de acesso à informação mas também riscos de exposição a conselhos pouco rigorosos.
Outro traço distintivo é a prioridade dada ao equilíbrio entre vida pessoal e profissional. A Geração Z tende a recusar culturas de trabalho excessivamente exigentes, mesmo que isso implique salários mais baixos ou progressão de carreira mais lenta. Para as empresas, isto traduz-se numa pressão crescente para rever políticas de flexibilidade, bem-estar e propósito organizacional, sob pena de perderem talento jovem.
Para bancos, retalhistas e outras empresas, compreender estes hábitos deixou de ser opcional. A Geração Z representa já uma fatia significativa do poder de compra global e essa influência só tende a crescer. As instituições que se adaptarem com mais transparência, digitalização e alinhamento com valores sociais ganharão vantagem competitiva.
Mais do que uma geração de contrastes, a Geração Z revela uma lógica coerente: poupar com propósito, consumir com critério e procurar autonomia financeira fora dos caminhos tradicionais. Um sinal claro de que a economia do futuro terá de se reinventar para os acompanhar.