Rosa Monteiro, professora da Faculdade de Economia, revela em primeira mão ao Jornal Económico (JE) a criação de uma escola para formar executivos no seio da Universidade de Coimbra: a Coimbra School of Management.

“Os programas não são um prolongamento das disciplinas académicas”, adianta ao JE a antiga secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, responsável pela direção executiva da escola. A oferta, acrescenta, é desenhada a partir dos grandes desafios da economia, da sociedade, da geoeconomia.

Não é mais do mesmo. Mas também não se trata de inventar. “Olhamos apenas para as análises mais estratégicas do ponto de vista europeu, como o relatório Draghi, que é estruturante do pensamento atual sobre a competitividade, a autonomia estratégica, o desenvolvimento económico e a sustentabilidade social da União Europeia”.

Parte-se de uma lógica diferenciada, assente no pressuposto de “pensar global e agir local” e transforma-se essa visão estratégica, global e ampla, numa abordagem formativa.

Justificando, Rosa Monteiro diz que “a formação executiva não pode estar dissociada dos contextos”. Dos contextos globais que fazem girar a grande roda do mundo e dos contextos locais, que são condicionados por eles.

O programa que acompanha o lançamento é disso exemplo. O Executive Master em Digital Money and Payments in Transformative Times está centrado num dos temas mais urgentes da democracia e soberania global: o futuro dos pagamentos e da digitalização das infraestruturas críticas financeiras. Dos grandes centros de decisão financeiros mundiais, como FMI e bancos centrais, virão formadores com a sua expertise.

Idem, idem, para o programa avançado em economia de defesa, que coloca em cima da mesa todas as questões da geopolítica, da segurança e da defesa, que já não é um tema somente militar.

Rosa Monteiro chama a atenção para a diversidade da oferta e o seu “olhar para as necessidades da nossa economia nacional e da nossa sociedade”. O portefólio é particularmente rico na área da inteligência artificial (IA). Tudo é feito em parcerias e com formandos das mais diversas entidades.

A escola tem um papel a desempenhar junto dos futuros líderes, que vão precisar de “visão global estratégica, responsabilidade ética e capacidade de resposta em contexto adverso e incerto”, refere Rosa Monteiro. E adianta: “Temos de formar uma nova geração de líderes que têm de aprender continuamente, que têm de saber trabalhar com pessoas diferentes, interpretar contextos complexos e lidar com informação contraditória e decisiva”.

A Coimbra School of Management quer desconstruir a ideia de que “formação executiva é formação para uma bolha”. De que vale formar para uma imagem idealizada de líderes, num contexto tão incerto!? – questiona Rosa Monteiro. É preciso pés no chão.

“A formação está regra geral centrada nos níveis de topo, quando as chefias intermédias são quem no terreno enfrenta as maiores tensões associadas às necessidades de transformação das organizações e das empresas”, explica. A atenção que se promete dedicar às chefias intermédias é também um aspeto diferenciador da proposta.

O trunfo, explica Rosa Monteiro, “é ter a capacidade de formar líderes que construam inteligência coletiva, que construam equipas, bebendo na riqueza do contexto”. É que, se estas lideranças são gentes de mudança, também podem ser focos de resistência. Há que “capacitá-las para que a transformação seja estratégica e capaz de abraçar a complexidade global”, propõe.

A Coimbra School of Management nasce num ecossistema único: a Universidade de Coimbra, uma das mais antigas do mundo, e o Instituto Pedro Nunes, uma das mais inovadoras incubadoras universitárias. E numa região rica em centros de investigação, com um cluster da saúde e da biotecnologia, o Biocant, e empresas como Feedzai, Critical Software e Bluepharma. Parece ter tudo para dar certo.