A insurtech espanhola Weecover defende que o principal obstáculo à adoção em larga escala da Inteligência Artificial (IA) no setor segurador não são os algoritmos, mas sim a rigidez das arquiteturas tecnológicas tradicionais das seguradoras.
Segundo dados do Global InsurTech Report Q1 2026 da Gallagher Re citados pela empresa, 95,2% dos 1,63 mil milhões de dólares investidos na indústria seguradora no primeiro trimestre de 2026 foram canalizados para empresas focadas em IA. Mas, a transição das provas de conceito para implementações rentáveis em larga escala continua a ser o grande desafio do mercado.
“O verdadeiro estrangulamento à adoção da IA já não é a tecnologia em si, mas a arquitetura operacional que a suporta”, afirmou Jordi Pagès, CEO e cofundador da Weecover, defendendo que muitas seguradoras estão a tentar construir o futuro tecnológico sobre sistemas legados extremamente complexos.
A Weecover propõe uma modernização progressiva e modular, assente em arquiteturas baseadas em APIs e microserviços que permitem a coexistência entre soluções cloud e sistemas legacy, evitando substituições monolíticas integrais que considera arriscadas e dispendiosas.
Rafael Gallardo, CDO e cofundador da Weecover, ilustrou a abordagem com exemplos concretos: “Um sistema core tradicional que funciona não tem de ser desligado. Graças à modularidade, podemos ligar um módulo cloud específico para lançar um novo produto no mercado em apenas algumas semanas, coexistindo de forma nativa com o sistema existente.”
Gallardo alertou ainda para os riscos comerciais da inação: “Se a IA demorar dois dias a analisar o risco de um cliente porque o sistema legacy bloqueia os dados, a concorrência que opera em tempo real ficará com o negócio.”
A Weecover aponta ainda a fragmentação da informação em silos desconectados como um obstáculo crítico, propondo a implementação de uma camada intermédia modular (middleware) que funcione como tradutor entre a IA e os sistemas legados, sem necessidade de alterar o código-base destes últimos.
Para Jordi Pagès, a agilidade arquitetural tornou-se uma prioridade estratégica de negócio: “As seguradoras que hoje investirem em plataformas de distribuição modernas e modulares serão aquelas que definirão o futuro do setor.”
A insurtech, fundada em Barcelona, evoluiu de uma solução de distribuição de seguros embebidos para uma plataforma modular SaaS que serve como core segurador para gestoras gerais de agentes (MGAs) e seguradoras.