O UBS, no seu outlook para o segundo semestre, prevê que as ações continuem num ciclo de subida nos próximos seis a 12 meses, e que o índice bolsista norte-americano S&P 500 atinja os 8.200 pontos até junho de 2027, o que implicaria uma subida superior a 9%.
“Acreditamos que o contexto atual reforça a importância de manter uma carteira central amplamente diversificada no centro de alocação em ações, complementada por uma exposição direcionada para oportunidades de crescimento estrutural”, disse o estratega de múltiplos ativos do UBS Global Wealth Management, Kiran Ganesh.
“Esperamos que o investimento em capital na área da inteligência artificial (IA) continue forte, que a economia norte-americana se mantenha resiliente, que haja uma despesa pública contínua a nível global e uma forte criação de crédito, o que deverá continuar a apoiar o crescimento dos lucros empresariais e dos mercados em geral”, acrescentou Kiran Ganesh.
O diretor de investimentos da UBS Global Wealth Management, Mark Haefele, referiu que o cenário base do UBS prevê uma “força contínua” nos investimentos em IA, “uma economia americana resiliente, gastos fiscais contínuos em todo o mundo e uma forte criação de crédito, fatores que continuarão a impulsionar o crescimento” dos lucros das empresas e dos mercados em geral.
No outlook, o banco suíço refere que mantém uma “perspetiva construtiva” mas sublinha que acredita que o aumento das disparidades de desempenho entre as ações individuais “torna a exposição concentrada em uma única ação cada vez mais arriscada”.
O banco adianta que, apesar da diversificação ser o cerne da filosofia de investimento do UBS, a sua análise sugere que este “risco é significativo” para muitos investidores em ações na plataforma com carteiras autogeridas do banco: “Excluindo participações estratégicas, quase 40% dos nossos investidores em ações detêm mais de metade da sua carteira em apenas 10 ações ou menos. Acreditamos que o ambiente atual reforça a importância de manter uma carteira principal muito mais diversificada no centro da alocação em ações e complementá-la com exposição direcionada para oportunidades de crescimento estrutural”, disse o banco suíço.
No rendimento fixo, o UBS vê uma relação risco-retorno “atraente” em títulos de qualidade, uma vez que os mercados “parecem estar a precificar” muitos aumentos de juros, “principalmente se os preços da energia se mantiverem em níveis baixos”. Nas commodities, o UBS acredita que os investidores “devem considerar utilizar a recente descida dos preços da energia para aumentar a exposição” a índices diversificados. “Em termos cambiais, esperamos que o dólar norte-americano permaneça bem valorizado no terceiro trimestre, uma vez que a economia dos EUA se mantém resiliente e as taxas de juro americanas permanecem relativamente elevadas”, adiantou.
Os riscos
O UBS identifica três riscos. Um deles é a confiança dos investidores na “durabilidade dos investimentos em IA ou na capacidade da economia converter esses gastos em lucro”. O banco diz que está ainda a “monitorizar sinais de fragilidade” na economia americana em geral, fora do ecossistema de IA. “Observamos que o crescimento do consumo real está a superar o crescimento do rendimento real por uma margem superior às normas históricas, à medida que a inflação elevada continua a impactar negativamente o crescimento do rendimento real”, refere o outlook, identificando o seu segundo risco. Outro risco seria os custos de financiamento mais elevados para os governos, empresas ou consumidores. “Este pode ter origem em três potenciais fontes: taxas de juro do banco central mais elevadas do que o esperado, custos de empréstimos governamentais mais elevados ou receios de excesso de emissão de obrigações corporativas”, diz o outlook da instituição bancária.