O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, defendeu esta terça-feira que Portugal precisa de continuar a atrair investimento direto estrangeiro em quatro áreas estratégicas – indústria, transição energética, inteligência artificial e centros de dados, e serviços de elevado valor acrescentado – para aumentar a produtividade e acelerar a transformação da economia.
Na inauguração da nova sede do BNP Paribas, em Lisboa, o governante afirmou que o crescimento económico sustentável exige, por um lado, reformas estruturais e, por outro, a continuação da captação de investimento privado.
O BNP Paribas inaugurou esta terça-feira a sua nova sede em Portugal, o EXEO Office Hub, localizado em Lisboa, no Parque das Nações.
“Sabemos que o Governo e os restantes agentes públicos têm de concretizar reformas estruturais em áreas como o capital humano, os custos de contexto, o mercado de trabalho, o sistema fiscal, a inovação, as infraestruturas e a eficiência da despesa pública”, afirmou.
Ao mesmo tempo, defendeu que Portugal deve reforçar a capacidade de atrair investimento em setores considerados estratégicos. Na indústria, destacou projetos como a produção de veículos elétricos da Volkswagen, a fábrica de baterias da Galp, bem como investimentos da Lufthansa Technik e da Airbus, considerando que representam o início de um processo de reindustrialização, em linha com a tendência europeia.
Na área da transição energética, sublinhou que cerca de 70% da eletricidade produzida em Portugal já tem origem em fontes renováveis, defendendo que o país deve prosseguir o investimento, sobretudo na energia solar, para acelerar a descarbonização da economia.
Miranda Sarmento identificou ainda a inteligência artificial e os centros de dados como uma oportunidade para o país, afirmando que Portugal reúne vantagens competitivas graças à qualificação dos recursos humanos, à localização geográfica e à elevada incorporação de energias renováveis, fatores que tornam estes investimentos mais sustentáveis do ponto de vista ambiental.
O quarto eixo estratégico passa pelos serviços de elevado valor acrescentado, área onde enquadrou a presença do BNP Paribas em Portugal. O ministro destacou que o grupo bancário está presente no país há 40 anos e consolidou, nos últimos 18 anos, uma operação que emprega atualmente cerca de 11 mil pessoas, entre trabalhadores diretos e indiretos.
Segundo o Ministro, a dimensão deste tipo de projetos tem um impacto significativo numa economia como a portuguesa. “Só o BNP Paribas representa cerca de 1% das exportações nacionais de serviços. Se conseguíssemos atrair mais dez projetos desta dimensão, as exportações aumentariam cerca de 10%”, exemplificou.
Além da contribuição para as exportações, salientou que estas atividades apresentam níveis de produtividade superiores à média nacional e criam emprego qualificado e melhor remunerado, contribuindo para elevar o rendimento e a competitividade da economia.
Para reter talento, sobretudo jovem, Miranda Sarmento recordou as medidas adotadas pelo Governo, incluindo o regime fiscal dirigido aos trabalhadores até aos 35 anos e a garantia pública que permite financiar até 100% da compra da primeira habitação, procurando ultrapassar as dificuldades de liquidez enfrentadas pelos jovens.
O ministro elogiou ainda a qualidade das universidades portuguesas e a capacidade de formar profissionais nas áreas da gestão, finanças, engenharia e ciências, defendendo que o país deve continuar a reter talento nacional e a atrair profissionais estrangeiros. A propósito do BNP Paribas, destacou que a operação em Portugal integra colaboradores de mais de 90 nacionalidades.
No final da intervenção, Joaquim Miranda Sarmento agradeceu ao BNP Paribas a confiança demonstrada em Portugal e manifestou o desejo de que o grupo continue a reforçar o investimento no país, consolidando Portugal como um dos seus principais centros internacionais de serviços.
Joaquim Miranda Sarmento assinalou ainda que a economia portuguesa está a crescer e a tornar-se cada vez mais resiliente, sobretudo, após a pandemia de Covid-19, e que o emprego está a atingir máximos.
O desemprego é baixo, os salários estão a aumentar, à semelhança do que está a acontecer com as exportações, acrescentou, destacando setores como o turismo, tecnologia e outros serviços.
Ainda assim, o governante sublinhou que a economia nacional “é de pequena dimensão”, sendo necessário transformá-la para aumentar a produtividade.
Neste sentido, defendeu “reformas estruturais” em áreas como o mercado de trabalho, capital humano, sistema fiscal, inovação e ciência e infraestruturas.
A isto acresce, conforme apontou, a necessidade de atrair investimento em áreas como a industrial, da transição energética e dos centros de dados e da inteligência artificial.