A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai avançar com um projeto para uma unidade de valorização energética de resíduos no Algarve, região que tem os seus dois aterros próximos do limite de capacidade. O anúncio foi feito este sábado pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, em Faro.
A ministra revelou que a APA vai lançar um concurso a 15 de outubro para estudar a solução técnica e a localização da futura unidade. A decisão surge no contexto de os aterros do Algarve, um em Loulé e outro em Portimão, terem capacidade para receber resíduos por apenas um ano e meio a dois anos. Estão previstas expansões para aumentar essa capacidade para cerca de sete anos e meio, dando margem até 2034-2035 para encontrar uma solução definitiva.
O Algarve é a região do país que mais resíduos produz per capita, devido ao turismo, e encaminha 85% para aterro, muito acima da média nacional (56%) e das metas da União Europeia (10% até 2035 e 14% até 2030). A produção anual é de 400 mil toneladas, com um aumento de 13% nos últimos quatro anos.
Maria da Graça Carvalho sublinhou que a solução será implementada em concordância com os 16 municípios algarvios, representados pela AMAL, e aproveitará financiamentos europeus. A ministra defendeu que não é sustentável construir mais aterros e que a valorização energética dos resíduos é o caminho natural, permitindo produzir energia a partir da queima controlada de resíduos.