Com o setor das energias renováveis a atravessar um período de “crescimento acelerado”, o mercado segurador depara-se com “um ambiente de subscrição tecnicamente exigente”, alerta o ‘Renewable Energy Market Review’, um relatório da Willis, empresa da WTW, notando que o sucesso das renováveis dependerá cada vez mais da execução.
Impulsionado pela “rápida inovação tecnológica, intensificação da concorrência global e crescente pressão geopolítica sobre a segurança energética”, o caminho de muitas seguradoras tem sido o de diversificar a sua carteira, “ampliando a sua exposição às energias renováveis”.
“Tecnologias disruptivas como o hidrogénio verde, a geotermia de nova geração e a energia solar no espaço estão a mudar o paradigma do que é possível. O sucesso em todas as áreas das energias renováveis dependerá cada vez mais da execução: gerir a complexidade, antecipar riscos sistémicos e alinhar as estratégias de engenharia, financeiras e de seguros”, lê-se no documento publicado esta segunda-feira.
Segundo Rob Hale, responsável global de energia e energias renováveis da Willis Natural Resources, “a vantagem competitiva está a deslocar-se para os projetos de energias renováveis capazes de demonstrar elevados padrões de engenharia, práticas de manutenção robustas e informação de risco credível e baseada em dados”.
“O risco está a passar de falhas isoladas de componentes para riscos sistémicos de dependência, sendo clara a necessidade de as empresas mapearem e gerirem os prazos de recuperação e o planeamento de contingência, bem como o alinhamento entre aprovisionamento, contratos e estruturas de seguros. A próxima fase da subscrição será definida menos pelo preço isoladamente e mais pela qualidade da informação, da análise e das estratégias de gestão de risco a longo prazo”, explica, citado em comunicado.
De acordo com o relatório, que lista as principais tendências do setor, “a capacidade abundante e a forte concorrência estão a impulsionar uma fase sustentada de abrandamento no mercado das energias renováveis, mas são os riscos com bom desempenho e ricos em dados que mais beneficiam”. Para este ano, acrescenta, as tendências de preços apontam para reduções entre 20% e 30% nos riscos de Nível 1 (com boas características de engenharia, sem sinistralidade e com receitas de prémio elevadas) e reduções de até 10% a 15% nos de Nível 2 (sem sinistralidade, mas com receitas de prémio mais baixas). Para os programas afetados por sinistros, a renovação dependerá da dimensão do sinistro.