Esta terça-feira marca o primeiro dia em pleno do Fórum do Banco Central Europeu (BCE) em Sintra, naquela que é a 12.ª edição do encontro de verão de alguns dos banqueiros centrais mais relevantes do hemisfério ocidental. O mote é inovação, crescimento e sustentabilidade, mas o mercado estará mais focado em procurar pistas quanto à evolução dos juros em ambos os lados do Atlântico Norte.

Formalmente, o Fórum arrancou esta segunda-feira com um jantar de receção aos convidados na Penha Longa, em Sintra, onde se realiza o simpósio de verão há já 12 anos, mas os debates, painéis e entrega de prémios arranca esta terça-feira – e logo com a apresentação de dois papers focados num dos tópicos centrais do encontro, o crescimento.

O destaque do dia irá para o painel do final da manhã, onde debaterão membros do FMI ou do Banco de Inglaterra (BoE), entre outros, com a moderação de Isabel Schnabel, um dos membros do conselho executivo do BCE e apontada como possível sucessora de Christine Lagarde à frente da autoridade monetária.

O debate focar-se-á em ‘Inteligência artificial e estabilidade financeira’, contando com a presença de Tobias Adrian, do FMI, Sarah Breeden, do BoE, do professor Itay Goldstein e do economista chefe da ApolloGM, Torsten Slok.

A inteligência artificial será, de resto, um dos tópicos quentes do encontro de três dias, com outro debate em torno dos impactos desta tecnologia à tarde, após a pausa para almoço. Philip Lane, outro dos membros da comissão executiva do BCE, senta-se à mesa com Aaron Chatterji, economista chefe da OpenAI, antes de o dia encerrar com sessões fotográficas e novo jantar.

Mas, antes, há pesquisa a apresentar e debater. Primeiro, o economista e professor universitário Bart van Ark apresenta o seu estudo intitulado ‘Rewiring Europe’s productivity framework: aligning investment, innovation, and diffusion’, que se concentra no diferencial de produtividade do Velho Continente face a economias comparáveis, como os EUA, e o relaciona com a adoção de novas tecnologias e inovação, isto numa altura em que a inteligência artificial continua a dominar estas discussões, mas sem ainda um caminho claro e viável para monetização e rentabilização.

De seguida, será a vez de Mariassunta Giannetti, também ela economista e professora universitária, apresentar em conjunto com os coautores Cameron Ellis e Chotibhak Jotikasthira o paper ‘The stringency and complexity of post crisis bank regulation’, que se debruça sobre ciclos regulatórios e estabilidade.

Apesar destes debates e discussões em torno do tema central do encontro, o mercado estará atento sobretudo a possíveis sinais sobre a evolução das políticas monetárias em cada uma das economias representadas, com destaque para a zona euro, Reino Unido e EUA. A moeda única viu uma subida das taxas diretoras na mais recente reunião de política monetária, antes do anúncio do memorando de entendimento entre norte-americanos e iranianos para pôr fim à guerra no Médio Oriente, e este movimento não foi igualado pelos seus homólogos, colocando o BCE num sentido diferente do BoE e da Fed.

No entanto, é de salientar que as taxas para o Reino Unido e os EUA estavam já consideravelmente mais altas do que na moeda única: 3,75% para a economia britânica e entre 3,5% e 3,75% para a norte-americana, ao passo que na zona euro saltaram para 2,4% após a subida de 25 pontos base (pb) na reunião de junho.

O Fórum continua na quarta-feira, dia em que encerra a 12.ª edição e que contará com o momento alto do simpósio de verão, o painel de política que reunirá os presidentes e governadores do BCE, BoE, Banco do Canadá e, em estreia, o novo líder da Fed, Kevin Warsh.