O chefe do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, anunciou esta terça-feira, 30 de junho, uma série de medidas para promover a integração dos imigrantes em Espanha de forma “justa e ordenada”, durante o lançamento do Plano de Integração e Cidadania e da campanha institucional ‘De onde vêm? Vêm para construir o país’. O plano, que será financiado com mais de 500 milhões de euros, será composto por quatro pilares principais, 16 medidas e 10 objetivos.

“O primeiro pilar baseia-se em duas questões: como as pessoas chegam e como tratamos aqueles que já estão aqui”, declarou. Para tanto, explicou que será lançada a criação de uma agência estatal para a mobilidade, a fim de facilitar “a integração desde o primeiro dia, porque a melhor integração começa antes de cruzar a fronteira”. Essa plataforma “consolidará funções e recursos, resultando em maior eficiência, maior integração, maior segurança e maior proteção para todos”, especificou, citado pela imprensa espanhola.

Em relação à segunda área-chave, o presidente enfatizou a coesão social. Para atingir esse objetivo, o governo destinará mais de 35 milhões de euros aos setores que apresentam alta procura de mão-de-obra, como a construção civil e a hotelaria, porque “o trabalho contribui para a coesão dos trabalhadores”. E acrescentou que mais de 150 milhões de euros serão reservados para a formação profissional de imigrantes, esclarecendo que “não se trata de importar mão-de-obra, mas de fomentar talentos e garantir que os trabalhadores tenham direitos no mercado de trabalho”.

O terceiro foco será o “compromisso recíproco”. “A sociedade espanhola deve combater a discriminação e oferecer oportunidades”, afirmou Sánchez, acrescentando que “para fazer parte de uma comunidade, são necessárias regras compartilhadas”. Por isso, “a Administração Pública destinará quase 30 milhões de euros a programas que fortaleçam as línguas oficiais e melhorem a convivência de todos”.

Finalmente, e para garantir uma cidadania efetiva, serão investidos mais de 200 milhões de euros no fortalecimento dos serviços públicos. “Vamos impulsionar o sucesso educacional combatendo a segregação”, prometeu Sánchez, com foco na “discriminação habitacional”.

Como pano de fundo – que já era conhecido – Pedro Sánchez disse que “sem imigração, a Espanha perderia 19% do seu PIB até 2050 e 22% em 50 anos”, acrescentando que pelo menos 90 mil bares teriam que “fechar” e quase 50 mil salas de aula do ensino primário “ficariam sem alunos”.

O líder do governo afirmou ainda que a chegada de imigrantes irregulares foi reduzida em um terço nestes primeiros meses de 2026 em comparação com 2025 e, que, só nas Ilhas Canárias, a redução chegou “a mais de 70%”. Até o momento, mais de 900 mil solicitações foram registadas em todo o país.

Oposição contesta

A oposição – toda ela, a de direita conservadora do Partido Popular e a de extrema-direita, o Vox – acusa o governo de criar um forte incentivo à imigração ilegal. A legalização massiva de cerca de 500 mil migrantes indocumentados (que comprovassem residência em Espanha antes de 31 de dezembro de 2025) é vista como um sinal perigoso. E argumenta que esta medida transmite às redes de tráfico a mensagem de que a entrada ilegal em território espanhol acabará por ser tolerada e formalizada algures no tempo.

PP e Vox criticam ainda o governo pelo facto de Espanha estar a caminhar na direção oposta à restante União Europeia, que tem endurecido o controlo de fronteiras e debatido centros de retorno a espalhar na fronteira comum – um plano que já tem pelo menos dez anos. A oposição argumenta que ao conceder direitos de residência e livre circulação a centenas de milhares de pessoas, a Espanha arrisca-se a criar fricções com a Comissão Europeia e com os países vizinhos, que temem o avanço destes fluxos pelo espaço Schengen. A oposição diz ainda que esta forma indiscriminada de permitir a entrada de imigrantes vai sobrecarregar o mercado de mão-de-obra com baixa qualificação.

Além disso, os serviços públicos – nomeadamente os serviços das autonomias, serão rapidamente sobrecarregados. Neste caso particular, alguns organismos regionais do próprio PSOE, o partido de Pedro Sánchez, afirmam que as estruturas regionais não estão preparadas para receber os imigrantes e que, por isso, o plano de financiamento de 500 milhões de euros pode ser curto para as necessidades.