Lisboa acolhe, a partir desta quinta-feira, o AECM Lisbon 2026, o principal congresso europeu dedicado às garantias. O evento reúne líderes institucionais e financeiros de 33 países e reforça o papel de Portugal no financiamento à economia. Organizado pelo Banco Português de Fomento (BPF) e pela Sociedade de Garantia Mútua (SGM), o encontro junta 51 membros da Associação Europeia de Instituições de Garantia Mútua (AECM), representando 173 instituições.

Na abertura, Gonçalo Regalado, CEO do BPF, e Guy Selbherr, presidente da AECM, destacaram as oportunidades que surgem das crises num mundo multipolar, com a China a emergir como potência global. Regalado reafirmou as metas do banco para 2026: ampliar o impacto no PIB para 3%, através de quatro pilares: garantias para PME (mais de 6 mil milhões de euros), subsídios (mais de 1,2 mil milhões de euros), banco de investimento (mais de 1,2 mil milhões de euros) e capital (mais de 500 milhões de euros). Estima-se apoiar 20 mil empresas.

O Plano Estratégico 2026-2028 assenta em seis eixos: Banco das Empresas (mobilizar mais de 30 mil milhões de euros em financiamento no triénio, mais 2,5 mil milhões em capital e 1,5 mil milhões em subsídios), Banco das Exportações (ultrapassar 3 mil milhões em operações apoiadas), Banco da Resiliência (mais de 3,25 mil milhões para linhas de apoio e reconstrução, 2,2 mil milhões do PRR e 3,6 mil milhões em dívida co-lending), Banco da Inclusão (mais de 4 mil milhões para habitação), Banco da Inovação (7 mil milhões através do fundo FEI-MSC Portugal) e Banco da Revolução Digital (mais de 4 mil milhões para uma AI Gigafactory e 70% de clientes digitais).

A nível internacional, o BPF expande parcerias estratégicas para captar parte dos 70 mil milhões de euros em oportunidades identificadas para a próxima década, em setores como transportes (40 mil milhões), portos (8 mil milhões), habitação (12 mil milhões) e telecomunicações (9 mil milhões). Em 2025, o banco atingiu um impacto de 2,2% no PIB, apoiou 16 mil empresas e subiu ao 5.º lugar no ranking ELTI.

O congresso inclui a assinatura de Memorandos de Entendimento com a Croácia (HBOR) e a Grécia (Hellenic Development Bank), visando aprofundar mecanismos de financiamento e coinvestimento. O evento é visto como um reconhecimento do peso de Portugal no ecossistema europeu de garantias.