O Banco Central Europeu (BCE) subiu taxas na mais recente reunião de política monetária porque era a decisão acertada a tomar, defendeu novamente a presidente Christine Lagarde, apontando a uma série de indicadores na zona euro. Apesar da pressão nos preços, a estagflação é um termo ultrapassado e que não corresponde ao atual cenário na moeda única, reforçou.
No painel de política monetária realizado esta quarta-feira no Fórum BCE, em Sintra, a presidente do banco central considerou que as circunstâncias pediam uma subida de juros no arranque deste mês, ainda que os seus homólogos britânico e norte-americano não tenham optado pela mesma via.
“Fizemo-lo porque tínhamos as condições monetárias perfeitas para tal”, começou por explicar, lembrando os fenómenos verificados no indicador subjacente e na tendência da inflação, mas também na força da transmissão da política monetária à economia real. “Levamos tudo isso em linha de conta quando tomamos a decisão.”
Com a subida de 25 pontos base (pb), que levou a taxa de referência na Europa a 2,25%, os juros diretores da zona euro aproximaram-se dos norte-americanos, entre 3,5% e 3,75%, e dos britânicos, atualmente em 3,75%. Ainda assim, Lagarde não vê no diferencial um problema e recorda o contexto.
“Partimos de posições diferentes”, explicou, contrastando com os seus colegas de painel Kevin Warsh, presidente da Fed norte-americana, e Andrew Bailey, o governador do Banco de Inglaterra.
Questionada novamente sobre o risco de a zona euro cair numa situação de estagflação, Lagarde repetiu a sua visão e afastou esta possibilidade. O contexto atual é bastante distinto do dos anos 70, quando a Europa caiu nesta crise, pelo que a presidente do BCE se mostrou pouco preocupada.
“A estagflação é um conceito dos anos 70. Agora estamos em níveis historicamente baixos de desemprego […] e estamos a tomar todos os passos para assegurar a estabilidade de preços”, atirou. “Não vamos deixar o génio escapar.”