Tempus fugit, o tempo foge. Mas, para muitos empresários e investidores em Portugal, o tempo parece correr de forma diferente dentro da máquina do Estado. As queixas são constantes: a lentidão e a imprevisibilidade dos processos administrativos e da justiça económica são os principais obstáculos ao desenvolvimento dos seus projetos.

Desde o relatório da Monitor Company, em 1994, que alertava para os procedimentos anquilosados e a morosidade na justiça, pouco mudou em mais de 30 anos. Empresas de tecnologia relatam que a velocidade da mudança no setor é incompatível com prazos de decisão que podem levar anos. Há casos de multinacionais que optam por investir noutros países por perceberem o tempo que perderiam com licenciamentos em Portugal.

O impacto é real: enquanto o Estado impõe os seus prazos e processos, o tempo irreparável foge, levando consigo o desenvolvimento para outras paragens. A urgência de reformar a administração pública e a justiça económica nunca foi tão evidente para travar a fuga de investimento e garantir a competitividade do país.