O mercado global de fusões e aquisições (M&A) está a caminho de registar o segundo melhor ano de sempre, após um crescimento homólogo de 41% nos primeiros cinco meses de 2026, para 2,4 biliões de dólares, segundo um relatório da Bain & Company divulgado esta segunda-feira.

O desempenho surge na sequência de uma recuperação já expressiva em 2025, quando o valor das operações aumentou 40%, para 4,9 biliões de dólares, o segundo nível mais elevado de sempre.

A consultora destaca que a atual dinâmica é impulsionada por transformações estratégicas nas empresas, com foco em ganhos de escala, eficiência e competitividade, num contexto marcado pela adoção crescente de inteligência artificial (IA) e por incerteza económica e geopolítica.

As chamadas megatransações — operações acima de 10 mil milhões de dólares — continuam a liderar o mercado, tendo aumentado 52% em número e 53% em valor. No total, o valor das operações cresceu 36% desde o início do ano, embora o número de negócios tenha avançado apenas 2%.

“A recuperação do mercado de M&A em 2025 não foi um episódio isolado e a lógica estratégica por detrás desta dinâmica só ganhou força”, disse Álvaro Pires, partner da Bain & Company, acrescentando que “o boom da IA (…) está a tornar mais complexa a execução” das operações.

Todos os setores registaram crescimento, com destaque para energia e recursos naturais, indústria e saúde e ciências da vida. Em contraste, o investimento por parte de fundos financeiros recuou 9% até maio.

Já o venture capital e o corporate venture capital dispararam 206%, impulsionados por grandes operações como a ronda de financiamento da OpenAI, avaliada em 122 mil milhões de dólares.

A Europa destacou-se como um dos principais polos de atividade, com a região EMEA a registar um aumento homólogo de 77% no valor das transações, impulsionado por grandes negócios, incluindo a oferta de 24 mil milhões de dólares pela Altice France e a proposta de aquisição da TK Elevator pela finlandesa Kone por 34,4 mil milhões.

Segundo a Bain, a crescente influência da IA está a redefinir as estratégias de M&A e a aumentar a complexidade das integrações, obrigando as empresas a gerir simultaneamente grandes operações e processos de transformação tecnológica.

Segundo a consultora, o impacto da IA na atividade de M&A já vai muito para além do setor tecnológico e está a criar um novo desafio para as empresas, que precisam redefinir estratégias integrado a transformação em IA ao mesmo tempo que gerem integrações complexas e de grande escala. “Um exemplo é a proposta de fusão de 119 mil milhões de dólares entre as empresas norte-americanas NextEra Energy e Dominion Energy, impulsionada em parte pelo crescimento acelerado dos centros de dados com elevado consumo energético”, lê-se no comunicado.

De acordo com o estudo da Bain, responder a este desafio exige um plano plurianual que combine uma estratégia de crescimento de M&A com investimento em processos e equipas apoiadas por IA.

As grandes transações podem demorar mais de três anos até à integração total, sendo que operações acima de 10 mil milhões de dólares levam, em média, sete meses até à conclusão e até 36 meses para gerar a maioria das sinergias.

“As integrações sempre envolveram riscos e oportunidades e, numa altura em que a IA está a elevar a fasquia, vão ser as empresas que veem a transação como uma oportunidade para acelerar esta transformação as que vão marcar a diferença no novo contexto de M&A”, afirmou Álvaro Pires.

Ao mesmo tempo, a IA está a redefinir o sucesso das operações, ao acelerar a identificação de sinergias e ao tornar a integração uma oportunidade para impulsionar uma transformação mais ampla, focada na eficiência, modernização das equipas e gestão da mudança.