Cansados da sobrecarga digital, os portugueses estão a desligar dos algoritmos e a ligar-se às pessoas. O novo estudo pan-europeu “Experience Economy 2026”, do Mastercard Economics Institute, revela que 2026 marca o “Ano da Humanização”: 64% dos portugueses planeiam reequilibrar a vida online, privilegiando atividades offline para escapar ao domínio da IA.
O relatório, baseado num inquérito a 27 mil pessoas em 28 países realizado em fevereiro de 2026, mostra uma viragem clara: as experiências presenciais, autênticas e com forte ligação à comunidade voltam a dominar as prioridades de consumo.
A fadiga digital é real. Mais de metade dos portugueses (52%) planeia participar em mais atividades offline este ano. E na hora de decidir o que fazer, 61% preferem recomendações pessoais de amigos e família em vez de sugestões de algoritmos.
A preferência por “menos ecrã, mais vida” reflete-se no bolso: 41% dos portugueses planeiam gastar mais em experiências do que em 2024, e 69% admitem gastar mais quando estão a viver uma experiência.
“Estamos a assistir a uma mudança significativa na Europa, com os consumidores a redefinirem prioridades. Mais do que um aumento de consumo, vemos uma procura por ligação humana e experiências com impacto emocional duradouro”, afirma Natalia Lechmanova, Economista-Chefe para a Europa do Mastercard Economics Institute.
No topo da lista de preferências nacionais estão as viagens e turismo (86%), seguidas por experiências gastronómicas e atividades ao ar livre, ambas com 77%. Eventos ao vivo (76%) e bem-estar (75%) completam o top 5.
Em Portugal, 62% dos consumidores atribuem hoje mais valor às experiências do que nunca – acima da média europeia de 59% – e 74% preferem vivê-las em companhia.
As 6 tendências que definem 2026
Identificadas pela Trend Hunter, estas são as forças que moldam a economia das experiências este ano: o Escapismo Analógico, com a preferência por experiências como bares de vinis e fotografia analógica no lugar do smartphone; os Pontos em Comum, em que comunidades se unem através de paixões partilhadas; o Coping Coletivo, que aposta em experiências em grupo para promover bem-estar e enfrentar desafios; a Conexão Consciente, focada em mais tempo de qualidade e experiências partilhadas para fortalecer relações; os Dias de Ouro, que marcam um boom da nostalgia e da recriação dos “bons velhos tempos”, com 38% dos portugueses a planear participar em mais experiências nostálgicas; e o Indie em Tudo, que valoriza o autêntico, o DIY e os destinos menos explorados.
O estudo da Mastercard revela ainda que viajar em 2026 é também sinónimo de aprendizagem. A nova tendência das “Skillidays” mostra que 74% dos portugueses têm interesse em experiências de aprendizagem partilhadas com amigos ou família.
Mais de metade (52%) gosta de aprender uma nova competência durante as viagens, e 47% estão dispostos a pagar mais por viagens com componentes de aprendizagem.
As competências mais procuradas são: aprender uma nova língua (36%), bem-estar e movimento como yoga ou dança (29%), workshops de culinária com chefs locais (28%), artes e ofícios tradicionais (25%) e produção alimentar, como enologia ou fabrico de queijo (24%).
A procura por autenticidade é uma oportunidade para as PME. 61% dos portugueses estão dispostos a pagar mais por atividades que beneficiem a economia local, e 56% procuram ativamente experiências disponibilizadas por pequenos negócios.
Se os negócios locais oferecerem este tipo de experiências, 69% dos consumidores dizem que recorreriam mais a eles.
Os dados do MEI confirmam a tendência: as despesas dos europeus em experiências, excluindo viagens, subiram para 20,4% em 2025, face a 19,9% em 2024.