A expressão “Governar é prever” é atribuída ao jornalista e empreendedor francês Émile de Girardin, criador do diário “La Presse”, que inovou ao levar o jornalismo às massas. Para Girardin, o poder político não pode limitar-se a reagir aos acontecimentos, mas deve antecipar e agir antes que a crise se instale e se torne irresolúvel. Esta máxima, nascida na França de meados do século XIX, durante a turbulenta II República, permanece surpreendentemente atual.

Naquela época, a falha na antecipação podia transformar uma crise económica numa revolução, uma decisão administrativa cega numa insurreição e um conflito institucional no fim da própria República. Hoje, os desafios são diferentes, mas a falta de previsão continua a gerar crises: o aumento repentino da população sem planeamento para serviços públicos ou habitação, a escassez de água resultante de anos de inação, ou a incapacidade de lidar com os efeitos das alterações climáticas. Girardin defendia que um governo que se limita a reagir já chega tarde e só procura limitar danos. “Nada prever não é governar, é correr para a própria perda”, alertava. Uma lição que muitos governantes ainda precisam de aprender.