Entre janeiro e maio de 2026 registaram-se 6.446 aberturas e 9.279 encerramentos de estabelecimentos de restauração, o que representou um saldo negativo de 2.833 estabelecimentos. Para Ana Jacinto, secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), os números do DIG-IN – plataforma de soluções tecnológicas e análise de dados para o setor da restauração – revelam um cenário de “maior fragilidade” e confirmam um período de “forte instabilidade e incerteza” no setor.
“Há uma pressão mais direta sobre a sustentabilidade financeira das empresas, resultante da combinação entre custos operacionais elevados, menor poder de compra das famílias e alterações nos hábitos de consumo”, diz ao JE.
A pressão dos custos continua a ser um dos principais fatores de preocupação do setor, que recorre aos dados do INE para alertar que vários produtos essenciais para a operação das empresas de restauração registaram aumentos expressivos no primeiro semestre do ano.
Entre eles destacam-se o peixe seco e salgado que registou uma inflação acima dos 23% desde fevereiro (atualmente está a 23,7% mas chegou aos 26,5% em abril); o peixe fresco e marisco em valores a rondar, desde de abril, os 10%; e ainda os legumes, que subiram quase em 16% em junho, apesar de, em abril, terem registado uma inflação de mais de 35%.
Este agravamento dos custos tem, para Ana Jacinto, um duplo impacto.
“Por um lado, comprime as margens das empresas, que nem sempre conseguem repercutir integralmente os aumentos de custos nos preços finais; por outro, condiciona a procura, porque as famílias também enfrentam perda de poder de compra e tendem a ajustar os seus padrões de consumo fora de casa”, explica.
Para este verão, os dados do inquérito da AHRESP indicam que quase 3/4 dos inquiridos antecipam receitas semelhantes ou inferiores às do verão de 2025.
“A inflação nos custos operacionais e a elevada carga fiscal e tributária surgem como os principais desafios identificados pelas empresas para a gestão da operação neste verão”, conclui.