Uma delegação da Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu inicia hoje uma visita de três dias à China para discutir com responsáveis chineses os principais pontos de tensão entre Pequim e Bruxelas, incluindo comércio, Ucrânia ou direitos humanos.

A delegação, composta por oito eurodeputados e chefiada pelo alemão David McAllister, começa a visita em Pequim, onde tem previsto um encontro hoje com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi.

Segundo um comunicado da comissão parlamentar, as conversações irão centrar-se na evolução das relações bilaterais, marcadas por vários dossiês sensíveis, como os crescentes desequilíbrios económicos, a guerra na Ucrânia, a situação dos direitos humanos na China e a paz e estabilidade na região do Indo-Pacífico, onde Pequim mantém várias disputas territoriais.

O presidente da Delegação do Parlamento Europeu para as Relações com a China, Engin Eroglu, afirmou na rede social X que já se reuniu com o seu homólogo chinês, Fu Ziying, defendendo que o diálogo é “um requisito para o entendimento mútuo e para uma política responsável”.

Eroglu considerou ainda que a reunião entre a delegação do Parlamento Europeu e Wang Yi é pouco habitual e constitui “um sinal claro de que a parte chinesa também procura o diálogo e está interessada em melhorar as relações com a União Europeia (UE)”.

Pequim e Bruxelas comprometeram-se recentemente a manter um diálogo aberto, embora a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tenha afirmado, no início deste mês, estar preparada para adotar “qualquer” medida contra a China na área comercial a partir do outono, quando termina o prazo definido pelas duas partes para resolver as disputas comerciais.

Os eurodeputados deverão também reunir-se, em Pequim, com outras autoridades chinesas e com representantes das missões diplomáticas da UE, seguindo depois para Xangai, no leste da China, onde os encontros se centrarão em temas tecnológicos, como a soberania tecnológica, a competitividade do setor e a governação global da inteligência artificial (IA).

A visita ocorre após vários episódios que agravaram as tensões entre a China e a UE nos últimos anos, marcados por investigações comerciais recíprocas, um desequilíbrio comercial que Bruxelas considera “insustentável”, divergências sobre a guerra na Ucrânia e sanções impostas pela UE a empresas chinesas por alegada colaboração com a Rússia.

O mais recente episódio de fricção surgiu na segunda-feira, quando a Comissão Europeia anunciou uma multa de 550 milhões de euros à plataforma chinesa de comércio eletrónico AliExpress, acusando-a de não combater de forma “eficaz” a venda de produtos ilegais, incluindo artigos contrafeitos.

A empresa chinesa afirmou que “tem cumprido e continua empenhada em cumprir as suas obrigações para com os consumidores” e anunciou que irá recorrer da sanção, que considerou “desproporcionada”.

China