O emprego em part-time recuou no ano passado, com menos 0,4% de pessoas empregadas a tempo parcial do que em 2024, ou cerca de 1.700 em valor absoluto. Numa perspetiva mais alargada, o trabalho em part-time representou 8,1% do emprego total, sendo que o número de trabalhadores com contratos a tempo parcial apesar de estarem disponíveis a full-time caiu 5,9%.
O Relatório sobre Emprego e Formação de 2025, divulgado esta terça-feira pelo Centro de Relações Laborais (CRL), aponta para uma diminuição na população empregada a tempo parcial, bem como do subemprego neste tipo de contratos, ou seja, do número de trabalhadores que, apesar de quererem e estarem disponíveis para trabalhar a tempo inteiro, estão num regime de part-time.
Em comparação com 2024, houve menos 0,4% de contratos a tempo parcial, o que corresponde a 1,7 mil pessoas, sendo que a descida se deveu quase exclusivamente à redução entre os trabalhadores do sexo masculino: houve menos 1,6 mil homens com contratos a part-time, o que significa uma descida de 1%, enquanto o número de trabalhadoras neste tipo de regime se manteve praticamente estável.
Em termos absolutos, foram 427,7 mil pessoas com contratos a part-time em 2025.
Destes, 29,7% eram considerados subemprego a tempo parcial, dado que estes trabalhadores haviam manifestado intenção e disponibilidade para trabalharem a tempo integral. Ainda assim, o número de pessoas nesta situação de subutilização do trabalho desceu 5,9% em comparação com 2024, o que corresponde a cerca de 7,9 mil trabalhadores.
O relatório denota ainda que há uma tendência de queda neste indicador, sendo que, “entre 2021 e 2025, o número de trabalhadores a tempo parcial em situação de subemprego diminuiu 15,7%, enquanto o total da população empregada a tempo parcial aumentou 12,8% no mesmo período”.
Na apresentação do documento, a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, mostrou-se satisfeita com a performance do mercado laboral português no atual contexto de elevada incerteza e disrupções, apesar das “fragilidades estruturais” que se continuam a registar.
A ministra apontou como principais desafios os salários ainda demasiado baixos, com um “fenómeno de compressão entre o salário médio e o mínimo que preocupa muito o Governo”, o da produtividade e da falta de escala das empresas portuguesas, que continuam a enfrentar dificuldades consideráveis para serem competitivas fora de portas.
Por outro lado, aspetos como o aumento do emprego na faixa etária acima dos 65 anos, entre os jovens e a descida da taxa de abandono escolar foram destacados positivamente, dado o impacto positivo que tiveram no mercado.