Cinco anos. É a previsão dos Museus do Vaticano para a conclusão do restauro das famosas Loggias de Rafael, uma obra-prima da Renascença, no segundo piso do Palácio Apostólico, voltado ao Pátio de São Dâmaso. Este é um dos mais relevantes projetos de restauro de património levados a cabo pelo Vaticano nos últimos 50 anos. A intervenção centra-se na ala oeste da Segunda Loggia, um corredor de 65 metros de comprimento e quatro de largura, concebido por Rafael e decorado, entre 1517 e 1519, pelos artistas da sua oficina durante o pontificado de Leão X. Dividida em 13 secções, a galeria exibe uma extraordinária sequência de cenas bíblicas do Antigo e Novo Testamento.

Mais de 20 restauradores dos Museus do Vaticano trabalham numa área com cerca de 1.300 metros quadrados, usando tecnologia a laser de última geração para limpar os frescos. Uma técnica que permite a remoção de depósitos acumulados sem comprometer a integridade das pinturas ou os elementos decorativos originais. Segundo especialistas, séculos de intervenções e tratamentos de conservação deixaram sucessivas camadas de cola, cera e fixadores nas superfícies, que, com o tempo, oxidaram e amarelaram, alterando a perceção da obra e obscurecendo a luminosidade dos tons pastel utilizados.

Na apresentação oficial do projeto, a diretora dos Museus do Vaticano, Barbara Jatta, destacou a importância cultural das Loggias e definiu-as como um espaço fundamental na transição entre o mundo clássico e a sensibilidade artística moderna. O restauro em curso permitirá uma melhor compreensão da riqueza cromática e da complexidade técnica de um dos conjuntos decorativos mais influentes da história da arte ocidental.

A intervenção conta com o apoio de doadores internacionais, designadamente do World Monuments Fund, organização que se dedica à preservação de património histórico de valor excecional em todo o mundo. O projeto de restauro conta, assim, com o apoio de 5,5 milhões de dólares (4,8 milhões de euros) da iniciativa Raphael: The Vatican and Beyond, via World Monuments Fund, que é parte integrante de um programa mais amplo, que envolve restauro, formação, digitalização de documentos e divulgação. Um programa parcialmente financiado pela Fundação Stephen A. Schwarzman, organização filantrópica sediada em Nova Iorque, através de uma doação no valor de 14,3 milhões de dólares (12,5 milhões de euros), e pelo grupo Patronos das Artes nos Museus do Vaticano.

As Loggias estão fechadas ao público e só podem ser visitadas por convidados do Papa, como chefes de Estado, embaixadores e altos funcionários da Igreja. Não obstante, trata-se de garantir a preservação futura de uma das criações mais icónicas associadas ao génio de Rafael, cuja obra inspirou gerações de artistas.