Os seis maiores bancos dos Estados Unidos superaram as expectativas dos analistas no segundo trimestre de 2026, com o JPMorgan Chase e o Goldman Sachs a atingirem máximos históricos, uma evolução que a Freedom24 considera um sinal de resiliência da economia norte-americana e de recuperação dos mercados de capitais.
Segundo uma análise da corretora, divulgada esta terça-feira, o JPMorgan Chase, o Goldman Sachs, o Bank of America, o Wells Fargo, o Citigroup e o Morgan Stanley — que em conjunto gerem mais de 15 biliões de dólares em ativos — registaram receitas e lucros acima do previsto, naquele que a Freedom24 descreve como um dos trimestres mais fortes dos últimos anos para o setor bancário norte-americano.
“Os resultados das maiores instituições financeiras mostram que os receios de uma desaceleração acentuada da economia dos Estados Unidos continuam, para já, por confirmar”, refere a Freedom24, apontando a estabilidade da qualidade do crédito, o recurso continuado das empresas ao mercado de financiamento e o regresso do dinamismo à banca de investimento como os principais fatores por detrás do desempenho.
A JPMorgan Chase liderou os resultados, com receitas de 58 mil milhões de dólares (+27%) e um lucro líquido ajustado de 16,9 mil milhões de dólares. As receitas da negociação de ações cresceram 86% e as comissões da banca de investimento subiram 30%, para 3,3 mil milhões de dólares — o valor mais elevado desde 2021. O banco reviu ainda em alta a previsão de receitas líquidas de juros para 2026, de 103 para 105,5 mil milhões de dólares.
A Goldman Sachs registou um máximo histórico de receitas, de 20,3 mil milhões de dólares (+39%), com o lucro líquido a quase duplicar, para 6,63 mil milhões. A divisão Global Banking & Markets gerou receitas recorde de 15,5 mil milhões de dólares (+53%), com as comissões de assessoria a operações de entrada em bolsa (IPO) a dispararem 130%.
De acordo com a Freedom24, um dos acontecimentos mais marcantes do trimestre foi a entrada em bolsa da SpaceX, avaliada em cerca de 86 mil milhões de dólares — a maior oferta pública inicial da história, com uma valorização atribuída à empresa de aproximadamente 1,77 biliões de dólares. A operação foi liderada pela Goldman Sachs, com a JPMorgan, o Bank of America e o Citigroup como coordenadores conjuntos.
O Morgan Stanley registou receitas recorde de 21,3 mil milhões de dólares (+27%) e lucro líquido de 5,6 mil milhões (+58%), com a área de gestão de património a somar entradas líquidas de 148 mil milhões de dólares. O Bank of America, por seu lado, continuou a beneficiar sobretudo da atividade bancária tradicional, com receitas de 31,6 mil milhões de dólares (+15%) e lucro de 9,1 mil milhões (+27%). O Wells Fargo e o Citigroup também bateram as previsões dos analistas, com receitas a crescerem 9% e 14%, respetivamente.
Para a Freedom24, a mudança mais relevante do trimestre não está apenas na dimensão dos lucros, mas na sua composição: depois de anos em que o principal motor dos resultados foram as taxas de juro elevadas, é agora a banca de investimento, a negociação nos mercados financeiros e o financiamento empresarial que voltam a ganhar peso — impulsionados, entre outros fatores, pelo forte crescimento das operações de fusões e aquisições (M&A), que segundo a Goldman Sachs aumentaram cerca de 90% no primeiro semestre face ao ano anterior, e pelo investimento crescente em infraestruturas de inteligência artificial.
A corretora sublinha ainda que os resultados da banca norte-americana costumam funcionar como indicador antecipado para o setor bancário europeu, citando estudos académicos sobre efeitos de contágio (spillovers) entre os dois mercados. Ainda assim, alerta que a convergência de tendências não significa uma sincronização das políticas monetárias: enquanto a Reserva Federal mantém a taxa diretora entre 3,50% e 3,75%, o Banco Central Europeu encontra-se numa fase distinta do ciclo.
Olhando para a segunda metade do ano, a Freedom24 mantém uma leitura cautelosamente otimista: “se a atividade nos mercados de capitais continuar a recuperar e a economia norte-americana conseguir evitar um abrandamento acentuado, os bancos têm condições para terminar 2026 com alguns dos melhores resultados da última década”. A corretora recorda que, segundo a FactSet, os lucros das empresas do S&P 500 deverão crescer 23,9% no segundo trimestre, com o setor financeiro entre os principais responsáveis por essa evolução.
A confiança das instituições traduziu-se também em decisões sobre remuneração dos acionistas: a Goldman Sachs anunciou um aumento de 11% do dividendo trimestral, o Citigroup prevê elevar a remuneração em 12% e o Wells Fargo vai aumentar o dividendo por ação de 0,45 para 0,50 dólares.
Os resultados dos bancos europeus, incluindo Deutsche Bank e BNP Paribas, começam a ser divulgados nas próximas semanas.