Fevereiro de 1991. Estamos na Segunda Guerra do Golfo. As tropas de Saddam Hussein ateiam fogo aos campos petrolíferos do Kuwait, antes de baterem retirada. Um inferno difícil de aplacar. Doloroso de ver. Sebastião Salgado, reputado fotógrafo brasileiro, foi até ao local documentar esse cenário dantesco. As suas fotografias, inicialmente publicadas pela “New York Times Magazine”, deram a volta ao mundo e valeram-lhe um segundo LOBA – Leica Oskar Barnack Award.
Nem todos os indefetíveis da Leica, esse ponto vermelho com cem anos de história, têm prémios no currículo ou ascenderam ao estatuto de estrela, como Sebastião Salgado. Mas são eles a coluna vertebral da grande comunidade Leica no mundo. São a espinha dorsal da marca alemã presente em Portugal há mais de 50 anos. A relação começou pela fábrica em Famalicão, evoluiu para uma loja e galeria no Porto e, este ano, para a sua segunda flagship em Portugal, no nº 258 da Av. da Liberdade, em Lisboa. Uma expansão natural e muito desejada, um espaço que integra a rede de 120 lojas próprias em todo o mundo.
A aposta em Lisboa, Chicago e Ulan Bator, capital da Mongólia, reflete o crescimento consistente da marca: a Leica fechou o quarto ano consecutivo de recordes de vendas, com uma faturação de 596 milhões de euros no exercício 2024/2025, um crescimento de 7,6% face ao ano anterior. Globalmente, é a única fabricante de câmaras fotográficas que cresceu consistentemente numa indústria que muitos insistem em declarar como morta.
Não se trata de nostalgia. O papel da Leica na construção da cultura visual ao longo do século XX é inegável. De Cartier-Bresson a Robert Capa, de Che Guevara (por Alberto Korda) às imagens de guerra de Yevgeny Khaldei, o legado é vasto. Em Lisboa, o foco está no futuro: através do Project Room, a marca quer expor trabalhos de novos talentos locais. Karin Rehn-Kaufmann, Art Director & Chief Representative Leica Galleries International, sublinha que não estão apenas “a criar um espaço para a fotografia, mas uma casa para visionários, contadores de histórias e momentos que merecem durar para sempre.” A Leica Akademie, na rua Alexandre Herculano, 19, será o coração de masterclasses, workshops e photowalks. Os próximos eventos incluem a Photowalk de Street Photography a Cores a 25 de julho, com Jorge Chagas, e Lisboa a Preto e Branco, com Diogo Coelho, a 31 de julho.
Outro destaque é o prémio LOBA – Leica Oskar Barnack Award, um dos mais prestigiados em fotografia documental. A 46.ª edição tem 12 finalistas, de Gaza ao Mar de Aral, abordando guerra, alterações climáticas e migração. A edição de 2026 estreia o LOBA Women Grant, para apoiar fotógrafas documentais. A vencedora será anunciada a 8 de outubro, em Wetzlar, Alemanha.