Portugal é o país da Europa onde os consumidores sentem mais ansiedade ao acompanhar notícias sobre a situação económica. A percentagem atinge os 47%, muito acima da média europeia (29%) e do valor registado nos Países Baixos, onde apenas 15% relatam o mesmo impacto emocional.

De acordo com o estudo ECPR – European Consumer Payment Report divulgado pela Intrum Portugal, no país a ansiedade é mais comum entre as mulheres (53%), comparativamente com os homens (41%), e afeta sobretudo os mais jovens, com 52% da Geração Z a assumirem sentir-se emocionalmente afetados. O Alentejo regista o valor mais elevado do país (56%), enquanto o Centro é a região menos afetada (43%).

O impacto emocional das notícias económicas não se limita ao plano psicológico, reflete-se também no comportamento financeiro. E neste capítulo Portugal volta a ser o país europeu onde mais consumidores (68%) hesitam em avançar com compras de maior valor, como habitação ou automóvel, devido ao receio em relação ao futuro, seguido pela Itália (66%) e Grécia (61%).

Esta cautela é mais expressiva em Portugal entre os mais jovens (78% da Geração Z) e nas regiões com maiores fragilidades, como o Alentejo, onde a hesitação é de 77%. Além da ansiedade, o ECPR evidencia os efeitos duradouros da crise do custo de vida. 62% dos portugueses afirmam que o aumento dos preços dos últimos anos teve um impacto negativo permanente no seu bem-estar financeiro, muito acima da média europeia (43%). Os mais atingidos são a Geração Z (69%), a Geração X (68%), e os consumidores das regiões do Alentejo, Açores e Madeira (67%), seguidos pela Área Metropolitana de Lisboa (65%).

A crescente preocupação com a estabilidade levou 60% dos portugueses a afirmar que reservam mensalmente dinheiro para criar um fundo de emergência, em linha com a média europeia. As mulheres destacam-se (64%) face aos homens (56%), e as regiões Norte e Centro lideram com 64% de adesão a esta prática. O Alentejo volta a surgir na cauda da lista, com apenas 48% dos inquiridos a adotarem esta medida preventiva.

Apesar da aparente prudência, o valor poupado mensalmente varia entre montantes simbólicos e percentagens relevantes do rendimento, refletindo desigualdades sociais e geográficas, bem como níveis distintos de apoio social e literacia financeira.

Luís Salvaterra, diretor-geral da Intrum Portugal, disse, citado em comunicado, que os dados do ECPR 2025 mostram como a saúde mental e a saúde financeira estão profundamente interligadas: “a constante exposição a previsões económicas negativas e o receio de não conseguir responder a despesas básicas provocam um desgaste emocional real. Este novo tipo de ansiedade financeira está a moldar comportamentos, a atrasar decisões importantes e a afetar o equilíbrio psicológico das famílias. Precisamos de soluções que combinem estabilidade económica com maior literacia financeira e apoio prático à gestão do orçamento familiar.”

A Intrum é uma empresa do setor da indústria de serviços de gestão de crédito, presente em 20 mercados na Europa. Conta com cerca de 10 mil profissionais, que servem cerca de 80 mil empresas em toda a Europa. Em 2023, as receitas ascenderam a 1,7 mil milhões de euros. A Intrum tem a sua sede em Estocolmo, Suécia e está cotada na bolsa Nasdaq Estocolmo. Em Portugal desde 1997, com escritórios em Lisboa (sede) e no Porto, a Intrum tem mais de 250 colaboradores.