Na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do primeiro semestre, o presidente executivo do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, mostrou-se cético em relação ao relatório sobre a “Competitividade do Setor Bancário” da Comissão Europeia, que pretende facilitar fusões transfronteiriças na União Europeia. “Medidas para concentração bancária europeia simplesmente não vão dar em nada”, disse o CEO.
O banqueiro afirmou que “não vai acontecer nada” e criticou a abordagem da Comissão: “Enquanto existir uma linha europeia que é basicamente de retórica e os países a defenderem as suas próprias instituições, não vai acontecer”. Oliveira e Costa sublinhou que “há uma tensão entre uma retórica europeia de integração e a defesa nacional das instituições, com 27/28 autoridades da concorrência e bancos centrais distintos”. Para ele, uma fusão transfronteiriça enfrentaria obstáculos regulatórios, como processos de fit and proper diferentes em cada país, tornando-a impraticável.
O CEO do BPI concordou com as críticas de Miguel Maya, presidente do BCP, que questionou a comparação com os bancos americanos, defendendo que no modelo de negócio de retalho a dimensão não é tão relevante. Oliveira e Costa reforçou: “No essencial, concordo com Miguel Maya”.
O responsável do BPI também comentou a decisão do Tribunal Constitucional sobre as contribuições para o Fundo de Resolução, dizendo que “está a analisar o tema com a sua área jurídica e tomará posição em breve”. O Tribunal considerou inconstitucionais as liquidações de 2013 a 2017 por terem sido fixadas pelo Banco de Portugal e não pelo Governo. Oliveira e Costa deu “os parabéns ao BCP” e concordou com a presidente do Santander Totta quanto à necessidade de um tratamento igual entre os bancos contribuintes.
Além disso, o CEO do BPI não vê “cisnes negros” no horizonte, apesar de reconhecer a prudência de Miguel Maya. O banco mantém 70 milhões de euros em imparidades não alocadas e projeta um crescimento do PIB português de 1,8% em 2026, abaixo dos 2,1% esperados antes do conflito no Médio Oriente, mas acima dos 0,7% da Zona Euro. A inflação deverá situar-se nos 2,9%.
Sobre o futuro, Oliveira e Costa não tem “bala de prata” para crescer receitas, mas destaca a equipa do BPI (4.630 pessoas), o retorno de capital de 15% e o cost-to-income de 43%. O banco também não se candidatou ao projeto euro digital, por “não ver interesse” na participação.