O ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Albares, afirmou esta sexta-feira que a integridade do espaço Schengen está “absolutamente garantida”, após a entrada em massa de migrantes no enclave de Ceuta. De acordo com Albares, a maioria dos migrantes que entraram ilegalmente já foi devolvida a Marrocos.
Cerca de 60.000 migrantes provenientes de Marrocos entraram ilegalmente em Ceuta, o que Madrid classificou como um “ataque” à sua integridade territorial. “Quase todos os que entraram em Ceuta já regressaram a Marrocos”, escreveu o ministro na rede social X.
Albares reforçou que “não é possível deslocar-se de Ceuta e Melilla para a península sem se identificar num posto de controlo da polícia”, sublinhando a garantia da segurança do espaço Schengen.
A crise migratória em Ceuta provocou uma crise de dimensão rara dentro da União Europeia, com a Itália a anunciar a suspensão temporária do espaço de livre circulação com Espanha. O ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, justificou a decisão como “necessária para proteger a segurança dos nossos cidadãos e defender as fronteiras da Europa”, lembrando que é uma medida prevista pelos tratados.
Em Melilla, as forças de segurança marroquinas impediram, na tarde de sexta-feira, várias tentativas de entrada irregular de grupos de migrantes. A Delegação do Governo espanhol afirmou que o dispositivo de segurança continua preparado e que há “comunicação permanente e estreita coordenação com as autoridades marroquinas”.
Durante a noite de quinta-feira e a madrugada de sexta, Melilla registou uma pressão migratória “complexa”, com tentativas simultâneas em vários pontos, resultando na entrada de cerca de 130 migrantes, a maioria menores de idade.
Pelo menos 57 pessoas morreram desde quinta-feira a tentar chegar a Ceuta a nado, segundo as autoridades. Até às 18h00 locais de sexta, cerca de 48.300 migrantes regressaram voluntariamente a Marrocos, de acordo com o Ministério da Administração Interna espanhol.